Toda atividade econômica que nos dispomos a executar possui riscos inerentes a mesma, porém, a grande maioria destes riscos podem e devem ser calculados para que sirvam de base nas tomadas de decisões que nos conduzem ao sucesso.

A atividade leiteira não é diferente de qualquer outra atividade econômica que visa obter lucros, pois os produtores bem-sucedidos são exatamente aqueles que buscam executar todas as tarefas, desde as mais básicas, de forma correta. Deve-se ter atenção com os cuidados no parto e no trato das bezerras, não descuidar da recria para não atrasar o início da vida produtiva destes animais, proporcionar uma nutrição equilibrada durante a lactação da vaca e o manejo adequado da mesma no período seco, adotar boas práticas para uma ordenha higiênica, sempre preocupado com o bem-estar dos animais, tudo isso sem esquecer de tomar nota e registrar todas as informações que nos darão base para conduzir a propriedade de forma eficiente ao sucesso e com ele a lucratividade.

No Brasil encontramos uma grande diversidade nos tipos de produções leiteiras nas diferentes propriedades em toda a sua extensão territorial, e dois principais parâmetros levados em consideração para que se defina o tipo de produção a ser adotado: o clima da região e a capacidade de investimento do produtor.

Na região Sul do país encontramos produções em que devido ao clima ameno pode-se usar animais com altos graus de sangue europeu ou puros que são mais especializados em produção, nas demais regiões do Brasil estes animais não apresentarão um desempenho satisfatório devido ao ambiente desfavorável. Para corrigir este problema alguns produtores que possuem recursos, investem fortemente em galpões de confinamento climatizados e alimentação de alta qualidade para proporcionar condições ideais para animais de alta produção, o que só refletirá em lucratividade em altas escalas de produção.

As regiões Norte e Nordeste possuem grande aptidão para produção de leite à custos baixos, devido a menor diferença climática entre as estações nos trópicos, o que gera algumas condições favoráveis para a produção de gramíneas tropicais como maior luminosidade ao longo do ano. Em resumo, podemos dizer que, o estado do Tocantins possui vocação para produção de leite à pasto. Entretanto, um dos maiores gargalos na produção de leite a custo baixo é a deficiência na produção de forragens (pastagens, silagem e feno) em quantidade e qualidade, os quais devem ser produzidos da melhor forma possível dentro das propriedades, afim de baixar custos. Este sistema é adequado para animais de tamanho médio, com produção de leite em torno de 4000 kg por lactação, no qual o mais comum no Brasil hoje é o cruzamento entre a raça Holstein (Holandesa) e Gir Leiteira.

Não importa qual o tipo de sistema é adotado em cada propriedade leiteira em nosso grande Brasil, no fim das contas o sucesso ou o fracasso serão a consequência da nossa capacidade de planejamento e dos nossos atos acerca da atividade leiteira, em outras palavras, fazer bem feito é a diferença entre ter lucro e ter prejuízo.

 

Wagner Pessanha Tamy (Zootecnista, PhD em Ciência Animal Professor de Bovinocultura da Universidade Federal Fluminense-UFF)

wagnertamy@id.uff.br