Cenario Rural

Plano Safra 2025/26: setor alerta para gargalos na execução e juros elevados

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Investimentos recuam e preocupação com custo do crédito cresce entre produtores

O governo federal anunciou nesta terça-feira (1º) o Plano Safra 2025/26 com um volume recorde de R$ 516,2 bilhões destinados à agropecuária empresarial. Apesar do número impressionar à primeira vista, o crescimento nominal de 1,5% em relação à safra anterior (R$ 508,6 bilhões) não representa um avanço real, considerando a inflação acumulada de 5,32% desde o último anúncio. Essa defasagem tem gerado críticas e levantado preocupações por parte de produtores, entidades representativas e especialistas do setor.

Mais recursos para custeio, menos para investimento

O novo Plano Safra prevê aumento nos recursos para custeio e para o Programa Nacional de Apoio ao Médio Produtor Rural (Pronamp), buscando garantir maior suporte operacional aos produtores rurais. No entanto, os recursos voltados ao investimento — essenciais para modernização, aquisição de maquinário e adoção de tecnologias — registraram uma retração, gerando apreensão quanto à capacidade de inovação e competitividade do campo brasileiro.

Juros altos minam competitividade

Outro ponto crítico diz respeito às taxas de juros. Com a taxa Selic ainda fixada em 10,50% ao ano, muitos produtores encontram dificuldades em acessar linhas de crédito com condições viáveis. A equalização dos juros subiu de R$ 92,8 bilhões para R$ 113,8 bilhões, totalizando R$ 189 bilhões, o que foi bem recebido pelo setor. Ainda assim, especialistas alertam que essa ampliação pode ser insuficiente diante do custo efetivo total das operações.

Exigências e burocracia também pesam

Além dos custos financeiros, o setor aponta entraves burocráticos como gargalos importantes na efetivação do Plano Safra. Muitos produtores, principalmente pequenos e médios, enfrentam dificuldades para cumprir as exigências documentais, especialmente em regiões com menor estrutura técnica. A ausência de assistência técnica eficaz e de linhas específicas para inovação também foi criticada.

Representantes da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) e da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) destacaram que, sem ajustes na política agrícola e tributária, os R$ 516,2 bilhões anunciados podem não se traduzir em crédito acessível e eficaz. A FPA, inclusive, denunciou que apenas 22% do montante é efetivamente controlado pelo governo por meio de recursos com juros equalizados — o restante viria de bancos privados a taxas de mercado.

Expectativa do setor é por revisão técnica

Produtores esperam que, nas próximas semanas, o governo apresente detalhes operacionais e corrija possíveis distorções por meio de medidas complementares. Há também expectativa sobre o lançamento do Plano Safra voltado à agricultura familiar, marcado para o dia 1º de julho, que pode trazer soluções mais alinhadas às necessidades dos pequenos produtores.

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