O anúncio do Plano Safra 2025/26, feito pelo governo federal nesta terça-feira (1º), provocou fortes reações na Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA). Apesar do volume recorde de R$ 516,2 bilhões, os parlamentares afirmam que a medida é uma “maquiagem cara”, usada como peça de marketing político. Segundo eles, a realidade enfrentada pelo produtor é bem menos otimista do que os números apresentados sugerem.
Recursos equalizados representam minoria
De acordo com o presidente da FPA, deputado Pedro Lupion (PP-PR), apenas 22% dos recursos anunciados — cerca de R$ 113,8 bilhões — são efetivamente geridos pelo governo, por meio de linhas com juros equalizados. O restante depende da atuação de bancos privados e do mercado financeiro, muitas vezes com taxas superiores a 2% ao mês, o que inviabiliza o acesso de pequenos e médios produtores.
Produtores pagarão até R$ 58 bilhões a mais em juros
A crítica da FPA é ainda mais incisiva ao destacar que, com os atuais custos de financiamento, os produtores deverão arcar com cerca de R$ 58 bilhões a mais em juros em relação ao ciclo anterior. A inflação de 5,32% acumulada no período anulou o ganho real do aumento de 1,5% no total anunciado, tornando o crédito ainda mais caro em termos práticos.
Cobrança por ações estruturantes
A bancada do agro no Congresso cobra do Executivo ações estruturantes, como uma política mais agressiva de equalização de taxas e simplificação do acesso ao crédito. Segundo Lupion, é necessário ampliar o controle público sobre os recursos e garantir um ambiente mais justo e competitivo, especialmente para pequenos e médios agricultores.
Transparência e previsibilidade
Os parlamentares também exigem maior transparência na divulgação dos critérios de distribuição dos recursos e alertam para a necessidade de previsibilidade nas políticas públicas voltadas ao agro. A crítica geral é que o Plano Safra 2025/26, apesar de numericamente robusto, não se traduz em soluções práticas para quem produz no campo.