O Brasil consolida sua posição como maior exportador mundial de algodão e terceiro maior produtor global com o avanço da colheita da safra 2024/2025. A etapa Algodão do Rally da Safra, principal expedição técnica do agronegócio brasileiro, percorre as principais regiões produtoras do país para diagnosticar o desempenho das lavouras e identificar os desafios climáticos e avanços tecnológicos da cultura.
Neste ano, três equipes de campo visitarão produtores nos estados de Mato Grosso e Bahia, responsáveis por grande parte da produção nacional. A expectativa é avaliar mais de 30 lavouras e realizar eventos técnicos para compartilhar os resultados com o setor.
Contrastes entre as regiões
A safra 24/25 apresenta cenários distintos. Na Bahia, aproximadamente 15% da área foi plantada mais cedo, aproveitando condições climáticas favoráveis em novembro. No entanto, no Mato Grosso, cerca de 40% das lavouras foram semeadas em fevereiro, o que eleva os riscos climáticos e aumenta a incerteza quanto ao rendimento final. Mesmo assim, o estado segue como principal polo algodoeiro, com destaque para regiões como Sapezal, Campo Novo do Parecis, Rondonópolis e Lucas do Rio Verde.
Produtividade como foco estratégico
Apesar de leve redução na área plantada, o Brasil segue investindo em tecnologia, manejo e eficiência produtiva. Segundo a Agroconsult, entre 2000/01 e 2024/25, o crescimento da produtividade (CAGR) foi de 2,1% no Brasil, ante 0,7% nos Estados Unidos. Esses avanços explicam por que mais de 80% do algodão brasileiro é exportado, principalmente para China, Turquia, Bangladesh, Vietnã e Paquistão.
De importador a potência mundial
Em menos de 25 anos, o Brasil passou de importador de algodão a referência global. O Rally da Safra, que completa 22 anos, reforça essa trajetória com uma metodologia consolidada e dados robustos. A etapa Algodão amplia a abrangência do projeto, oferecendo uma visão atualizada de uma cultura estratégica para o agronegócio nacional.
Números do Rally da Safra
- 124 dias de trabalho em campo
- Mais de 2.200 lavouras avaliadas
- 14 estados visitados
- 103.994 km percorridos
- 22 equipes técnicas envolvidas
- 349 produtores e técnicos entrevistados
A liderança brasileira nas exportações de algodão é resultado direto da eficiência no campo, da integração com o setor têxteis global e da capacidade de adaptar-se às adversidades climáticas e de mercado.