Cenario Rural

Tarifa dos EUA trava exportações e derruba preço da carne bovina no Brasil

frigorifico

Setor vive lentidão nos negócios, com mercado interno desaquecido e preocupação crescente com o futuro das exportações

As recentes tarifas de 50% impostas pelos Estados Unidos sobre a carne bovina brasileira começam a surtir efeito direto sobre o mercado pecuário nacional. Segundo análise do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), os negócios com animais para abate estão cada vez mais lentos, pressionando os preços da arroba do boi e da carne no mercado interno.

EUA: segundo maior mercado da carne bovina brasileira

Os Estados Unidos configuram o segundo maior destino das exportações brasileiras de carne bovina, com participação de cerca de 12% do total exportado, ficando atrás apenas da China, que responde por aproximadamente 49% do mercado. A imposição da tarifa, que entrará em vigor a partir de agosto, já provocou desaceleração no ritmo das negociações, mesmo antes de sua implementação formal.

Volume exportado às pressas, mas já em queda

Dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) indicam que, em junho de 2025, o volume de carne bovina exportada para os EUA já foi o menor desde dezembro de 2024, sugerindo que a incerteza regulatória e o temor da tarifa estão impactando diretamente os contratos de embarque. O setor frigorífico nacional já redireciona parte da produção a outros mercados, como Chile, Oriente Médio e China.

Mercado interno desaquecido acentua quedas

Enquanto o comércio exterior sofre, o consumo interno não tem conseguido absorver o excesso de oferta. O Cepea aponta que o mercado doméstico permanece enfraquecido, com vendas lentas e dificuldade dos frigoríficos em praticar valores superiores. Isso tem resultado em queda nas cotações da arroba, além de recuos nos preços dos cortes dianteiros e traseiros.

Pressão nos frigoríficos e produtores

A conjunção de exportações travadas e mercado interno desaquecido coloca pressão adicional sobre os frigoríficos, que operam com margens reduzidas, e sobre os pecuaristas, que veem seus custos de produção ameaçarem superar os valores de venda. Em algumas praças de São Paulo, a arroba do boi já é negociada entre R$ 295 e R$ 300.

Cenário é de incertezas e monitoramento constante

Com o cenário global instável e as tensões comerciais em alta, analistas recomendam cautela nas negociações e monitoramento constante do mercado internacional. O governo brasileiro, por sua vez, tem se articulado com representantes da cadeia produtiva para buscar saídas diplomáticas e comerciais junto aos EUA e à Organização Mundial do Comércio (OMC).

 

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