Cenario Rural

Exportações de milho dos EUA decepcionam e revelam queda abrupta na demanda internacional

Movimentação Porto de Paranaguá  -  Paranaguá, 10/06/2019  -  Foto: Cláudio Neves/APPA

Volume semanal é o menor do ano comercial e acende alerta sobre apetite global pelo cereal norte-americano

Exportadores dos Estados Unidos relataram vendas de apenas 97,6 mil toneladas de milho da safra 2024/25 na semana encerrada em 10 de julho, segundo o Departamento de Agricultura dos EUA (USDA). O dado representa uma queda de 92% em relação à semana anterior e 89% abaixo da média das quatro semanas anteriores. Trata-se do menor volume semanal registrado no ano comercial até agora.

Destinos alternados e cancelamentos relevantes

Os principais compradores foram Japão (187,9 mil t), Colômbia (78,6 mil t), Coreia do Sul (77,1 mil t), Reino Unido (44 mil t) e Egito (33,1 mil t), mas os volumes foram insuficientes para compensar cancelamentos significativos feitos por destinos não revelados (390,7 mil t) e pelo México (79,3 mil t). Isso mostra uma instabilidade preocupante na demanda internacional pelo milho dos EUA.

Temporada 2025/26 mostra sinal de recuperação, mas ainda aquém do esperado

Para a nova temporada (2025/26), as vendas alcançaram 565,9 mil toneladas, com destaque para compras por destinos não revelados (287,1 mil t), México (175,9 mil t), Japão (65 mil t), Reino Unido (18 mil t) e Nicarguá (14,7 mil t). Ainda assim, a soma total de 663,5 mil toneladas ficou bem abaixo das expectativas de analistas, que previam entre 900 mil a 2 milhões de toneladas.

Exportações em queda mantêm pressão sobre os preços

As exportações efetivas somaram 1,211 milhão de toneladas na semana, queda de 28% em relação à semana anterior e de 24% frente à média das quatro semanas. Os principais destinos continuam sendo Japão (299,9 mil t), México (280,2 mil t), Coreia do Sul (271,8 mil t), Colômbia (111 mil t) e Taiwan (76,1 mil t).

Fatores globais pesam na retração das vendas

A concorrência com milho mais barato da América do Sul, em especial do Brasil e da Argentina, e a estabilidade nos estoques de grandes importadores, estão entre os motivos apontados para essa queda. Além disso, a insegurança global em relação às tensões comerciais e os impactos climáticos em produções futuras têm feito os compradores agirem com mais cautela.

Sinal de alerta para o mercado americano

A queda brusca nas vendas semanais é um sinal de alerta para os exportadores norte-americanos, que dependem fortemente da demanda global para sustentar os preços internos. Com a proximidade do período de colheita e a expectativa de uma safra robusta, a pressão sobre os preços do milho pode se intensificar caso a demanda internacional não se recupere.

 

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