Cenario Rural

Manejo de solo passa a integrar Zoneamento de Risco Climático da soja

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Nova abordagem do Zarc entra em vigor a partir de agosto

Com início em agosto, um projeto-piloto no Paraná incluirá práticas de manejo de solo no cálculo do Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc) para a soja. Produtores que aderirem ao novo modelo, chamado Zarc Níveis de Manejo (ZarcNM), terão acesso a percentuais diferenciados de subvenção nas apólices de seguro rural, conforme o nível de manejo adotado.

A evolução do Zarc: do solo à prática

A iniciativa é fruto de parceria entre o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) e a Embrapa, regulamentada pela Instrução Normativa Nº 2/2025. O ZarcNM representa um avanço no cálculo de risco climático, passando a considerar atributos físicos, químicos e biológicos do solo, além da adoção de práticas conservacionistas.

De acordo com o pesquisador da Embrapa Soja, José Renato Bouças Farias, o projeto é essencial diante da escassez hídrica — principal causa de perdas na soja. O novo modelo incentiva práticas que aumentam a infiltração de água e reduzem o escorrimento superficial, promovendo maior disponibilidade hídrica e resiliência das lavouras.

Classificação por níveis e benefícios no seguro

O ZarcNM define quatro Níveis de Manejo (NM1 a NM4), com base em seis indicadores técnicos. O nível alcançado determina o percentual de subvenção: NM1 (20%), NM2 (25%), NM3 (30%) e NM4 (35%). Atualmente, o seguro rural da soja prevê subvenção padrão de 20%, o que torna os novos percentuais um incentivo concreto à melhoria do manejo.

Os seis indicadores usados para classificação são: tempo sem revolvimento do solo, cobertura do solo em pré-semeadura, diversificação de culturas, saturação por bases, teor de cálcio e saturação por alumínio. Além disso, práticas como semeadura em nível são pré-requisitos fundamentais.

Aprofundamento técnico no Congresso da Soja 2025

O tema será debatido em painel no X Congresso Brasileiro de Soja e no Mercosoja 2025, no dia 22 de julho. Pesquisadores da Embrapa e representantes do Mapa apresentarão a metodologia, os impactos climáticos e a publicação “Indicadores para classificação dos níveis de manejo no ZarcNM Soja”.

Como vai funcionar na prática

Durante a safra 2025/2026, o projeto-piloto testará o fluxo operacional do ZarcNM no Programa de Subvenção ao Seguro Rural (PSR), por meio de uma plataforma digital da Embrapa: o Sistema de Informações de Níveis de Manejo (SINM). O sistema utilizará dados operacionais, análises de solo e sensoriamento remoto para gerar a classificação.

A inserção dos dados no SINM será feita por operadores credenciados, como cooperativas, seguradoras e laboratórios. A Embrapa e o Mapa vêm articulando com esses agentes a implementação do projeto. Um dos destaques é a Cocamar, que selecionou 20 cooperados referência para validar o modelo em campo.

Desafios e perspectivas para o produtor

Segundo o gerente técnico da Cocamar, Renato Watanabe, adaptar os produtores aos critérios do ZarcNM exigiu atenção às particularidades de cada propriedade. No entanto, a expectativa é de que a proposta incentive práticas sustentáveis e amplie o acesso ao seguro rural com base na qualidade do manejo.

Tecnologia e transparência via SINM

O SINM opera com APIs que garantem rastreabilidade e verificabilidade das informações, essenciais para assegurar confiança entre produtores, seguradoras e o governo. Interessados em se tornar operadores devem comprovar capacidade técnica e, no caso de laboratórios, aprovação em programas de proficiência.

Desde sua criação, o Zarc evoluiu de um modelo baseado apenas na textura do solo para incluir aspectos estruturais e de fertilidade. A metodologia atual permite avaliar o risco climático com mais precisão, incluindo o efeito do manejo sobre a água disponível no solo.

Mais informações

As diretrizes detalhadas sobre a metodologia de classificação dos níveis de manejo no ZarcNM podem ser consultadas na Instrução Normativa Nº 2/2025 do Ministério da Agricultura e Pecuária.

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