Cotações sobem com demanda externa, mas esbarram nos custos logísticos
Apesar da valorização observada nas cotações da soja nos últimos dias, os ganhos têm sido limitados pelo elevado custo do frete, especialmente nas regiões distantes dos portos. O mercado internacional tem oferecido preços atrativos, impulsionados pela demanda firme da China e pela menor oferta global, mas os custos logísticos internos dificultam a competitividade do grão brasileiro.
Mercado internacional mantém demanda aquecida
A recente valorização do dólar frente ao real e o movimento de compra por parte de tradings contribuíram para elevar as cotações internas da soja, principalmente nas regiões produtoras do Centro-Oeste. Segundo analistas de mercado, o cenário externo segue favorável para o Brasil, diante da quebra de safra na Argentina e de uma demanda crescente nos principais mercados consumidores.
Frete impacta margem do produtor
Contudo, o alto valor do frete rodoviário — impulsionado pela entressafra de milho, pela demanda por transporte de fertilizantes e pelo aumento no preço do diesel — tem reduzido a margem de lucro dos produtores, especialmente aqueles localizados em áreas mais distantes da rota logística principal.
Além disso, o aumento das exportações no período tem pressionado a demanda por caminhões, elevando ainda mais os custos logísticos. Como consequência, muitos agricultores têm optado por segurar a venda da soja à espera de melhores condições de mercado.
Logística como gargalo estrutural
Especialistas apontam que o gargalo logístico do Brasil é um fator crônico e que precisa ser enfrentado com investimentos em infraestrutura, como ampliação da malha ferroviária e melhorias nas estradas. A dependência do modal rodoviário torna o país mais vulnerável às flutuações de preço do diesel e à sazonalidade das colheitas.