Cenario Rural

Brasil sob pressão: setor de suco de laranja pode perder R$ 4,3 bilhões com tarifa dos EUA

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Tarifação de Trump afeta diretamente principal produto de exportação do agronegócio paulista

O setor de suco de laranja brasileiro está no epicentro de uma das maiores ameaças comerciais dos últimos anos. Segundo estimativas da CitrusBR (Associação Nacional dos Exportadores de Sucos Cítricos), a imposição de tarifas adicionais pelos Estados Unidos pode gerar um prejuízo estimado em R$ 4,3 bilhões ao Brasil. A medida, parte do pacote protecionista anunciado pelo presidente Donald Trump, incide sobre o produto que é líder nas exportações paulistas e tem papel crucial na balança comercial do país.

Impacto direto nas exportações brasileiras

Com os EUA representando o segundo principal destino do suco de laranja brasileiro, atrás apenas da União Europeia, a tarifa extra de 50% deve afetar diretamente a competitividade do produto nacional. Atualmente, 80% do suco consumido nos Estados Unidos é importado do Brasil, que lidera o mercado global de suco concentrado congelado.

Perda de competitividade e efeitos na cadeia produtiva

As tarifas elevam o custo final do produto brasileiro em um mercado onde margens são cada vez mais apertadas. Como consequência, os contratos estão sendo renegociados ou suspensos, e muitas indústrias têm priorizado o mercado spot. A incerteza afeta não apenas os exportadores, mas também produtores rurais, cooperativas e toda a cadeia logística envolvida.

Alta na safra amplia o risco de sobreoferta interna

A projeção de safra 2025/26 é de 314,6 milhões de caixas no cinturão citrícola de SP e Triângulo Mineiro, o que representa um aumento de 36,2% frente ao ciclo anterior. Com a possibilidade de escoamento reduzido para os EUA, a sobreoferta pode derrubar os preços internos e comprometer a rentabilidade do setor.

Estratégia de diversificação de mercados

Com a tensão comercial se agravando, empresas do setor começam a buscar novos mercados. A Ásia, especialmente a China, aparece como uma opção promissora, embora o mercado ainda esteja em expansão e demande adaptações logísticas e regulatórias.

Negociações diplomáticas e plano de contingência

O governo brasileiro, por meio dos Ministérios da Fazenda, Indústria e Relações Exteriores, está finalizando um plano de contingência para apoiar os setores mais impactados pelo tarifaço. A expectativa é que haja pressão política e diplomática para tentar reverter ou mitigar os efeitos da medida até 1º de agosto, data prevista para entrada em vigor.

 

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