Oferta elevada e custos logísticos pressionam cotações do cereal no principal estado produtor do Brasil
O preço do milho em Mato Grosso acumulou uma queda expressiva de 41% nos últimos três meses, segundo dados do Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária (Imea). A desvalorização reflete uma combinação de fatores, como a elevada oferta no estado, o ritmo lento das exportações e os custos logísticos que inibem a competitividade do grão brasileiro no mercado internacional.
Colheita recorde pressiona mercado
A colheita da segunda safra segue em ritmo acelerado, com boa produtividade nas lavouras. A abundância do cereal no mercado interno fez com que os compradores reduzissem suas ofertas, gerando forte pressão sobre os preços. No fechamento da terceira semana de julho, o preço médio da saca foi de R$ 31,18, bem abaixo dos R$ 53,14 registrados em abril.
Exportações abaixo do esperado
Apesar da safra cheia, as exportações de milho ainda não engrenaram. O Imea aponta que, até o momento, os embarques estão abaixo da média histórica para o período. A concorrência com outros exportadores e os desafios logísticos, como fretes caros e gargalos em portos, dificultam o escoamento da produção.
Com os preços em baixa e os custos de produção ainda elevados, muitos produtores enfrentam margens apertadas ou mesmo prejuízos. A situação tem levado parte dos agricultores a postergar vendas, apostando em uma eventual recuperação das cotações com a retomada das exportações ou com alguma quebra de safra em outros países.
Perspectivas
O mercado segue atento ao comportamento da demanda internacional e ao clima nos principais estados produtores. Uma retomada nos embarques pode aliviar a pressão interna, mas até lá, o milho deve seguir com preços deprimidos em Mato Grosso.