Alta carga tributária pode levar exportadores a buscar novos mercados e mudar estratégias comerciais
O setor cafeeiro brasileiro está prestes a enfrentar um dos momentos mais delicados de sua história recente. Com a iminente entrada em vigor da tarifa de 50% imposta pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros, analistas do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea/Esalq/USP) alertam para uma possível mudança de rota no destino da produção nacional.
A nova tributação pode elevar a carga tributária efetiva sobre o café exportado aos EUA para mais de 50%, tornando a operação inviável para muitos exportadores. Diante desse cenário, o redirecionamento da produção para outros mercados se torna uma alternativa estratégica.
Impactos imediatos e reação do mercado
A pressão tarifária afeta diretamente o fluxo logístico e o fechamento de contratos futuros. Exportadores relatam insegurança em relação aos embarques agendados para agosto e setembro, pois a aplicação das tarifas não está completamente definida em termos operacionais. Isso dificulta a previsão de custos e margens de lucro.
Segundo dados do Cepea, os EUA são o maior destino do café industrializado brasileiro, com cerca de 20% do total exportado. Uma eventual perda desse mercado pode provocar ajustes drásticos em toda a cadeia, incluindo torrefações, cooperativas e produtores.
Busca por novos destinos
China, Emirados Árabes, Filipinas e México despontam como possíveis substitutos, com potencial de crescimento nas importações. O Brasil já responde por mais de 30% das importações chinesas de café e possui acordos comerciais com diversos países da Ásia e do Oriente Médio que podem ser ampliados.
Ajustes internos e apoio governamental
Organizações do setor cafeeiro têm pressionado o governo brasileiro para acelerar a implementação de medidas emergenciais, como linhas de crédito, subsídios logísticos e apoio para feiras e eventos internacionais. Além disso, destaca-se a importância de desburocratizar processos de exportação e ampliar a promoção comercial da marca Café do Brasil no exterior.
Perspectivas
Embora o tarifaço represente um grande desafio, especialistas acreditam que o Brasil possui robustez e liderança suficiente para reconduzir sua estratégia cafeeira. A diversificação de mercados e a ampliação da valorização do produto nacional podem, a médio prazo, atenuar os impactos da medida norte-americana.