Cenário atual do mercado de laranja na região SEALBA
Produtores de laranja da região conhecida como SEALBA — acrônimo que reúne os estados de Sergipe, Alagoas e Bahia — têm enfrentado sérias dificuldades para escoar a produção. De acordo com os relatos do campo, mesmo com boa qualidade da fruta, muitos citricultores não conseguem fechar negócios com indústrias nem no mercado in natura. A situação tem causado apreensão quanto à sustentabilidade da atividade na região, tradicional produtora de citros no Nordeste brasileiro.
Sobrecarga da oferta e retração industrial
Um dos principais fatores apontados para essa estagnação nas vendas é a sobreoferta de frutas nas centrais produtoras, especialmente no Sudeste do país, o que tem diminuído a procura por laranjas da SEALBA. Além disso, indústrias de suco concentrado cítrico, que tradicionalmente compram parte significativa da safra nordestina, têm priorizado contratos com fornecedores fixos e com maior escala de entrega, reduzindo as compras avulsas. A demanda externa também tem se mostrado mais cautelosa, diante do aumento das tarifas impostas por países importadores e da instabilidade no cenário internacional.
Dados de produção e mercado
Segundo dados do IBGE e da Conab, a produção de laranja no Nordeste brasileiro gira em torno de 1,3 milhão de toneladas por ano, sendo a SEALBA responsável por mais de 700 mil toneladas. Embora o volume seja significativo, representa cerca de 8% do total produzido nacionalmente, que em 2024 ultrapassou as 17 milhões de toneladas, concentradas principalmente em São Paulo.
No mercado internacional, o Brasil segue como líder absoluto na exportação de suco de laranja concentrado congelado (FCOJ), representando mais de 70% do mercado global. No entanto, a maior parte desse volume é originada do cinturão citrícola paulista. O mercado spot de frutas in natura e para indústria na região SEALBA, portanto, depende de nichos logísticos, preço competitivo e, sobretudo, planejamento de safra.
Impactos econômicos e sociais
O escoamento insuficiente da safra tem impacto direto na renda dos produtores familiares e cooperativas da região, que dependem da cultura da laranja como principal fonte de receita. Muitos relatam prejuízos com frutas maduras sendo descartadas ou vendidas a preços muito abaixo dos custos de produção. A falta de comercialização afeta também o emprego local, já que a colheita e o transporte exigem mão de obra temporária.
Alternativas e soluções em discussão
Diante do cenário, entidades como a EBDA (Empresa Baiana de Desenvolvimento Agrícola) e associações locais têm promovido reuniões com o governo estadual e federal para propor medidas emergenciais, como compras públicas via PAA (Programa de Aquisição de Alimentos) e incentivos à agroindustrialização local da fruta. Outra frente em análise é o estímulo à diversificação de variedades e à certificação de origem como forma de agregar valor e abrir novos canais de comercialização, inclusive para exportações.
Expectativas para os próximos meses
Com a entrada do segundo semestre, espera-se que o mercado apresente alguma retomada na demanda, especialmente com a diminuição da oferta do Sudeste. Além disso, o aumento da temperatura em diversas regiões do país pode impulsionar o consumo de sucos e frutas frescas. Contudo, especialistas alertam que, sem ações coordenadas e investimentos em logística e processamento local, a crise tende a se repetir nos próximos ciclos.