Alerta do setor exportador sobre o cenário global
O diretor-geral do Cecafé, Marcos Matos, afirmou que a sobretaxa de 50% imposta pelos Estados Unidos ao café brasileiro pode provocar um “grande desarranjo global” e pressionar ainda mais os preços da commodity mundialmente. Desde o anúncio da tarifa, os preços na bolsa saltaram de cerca de US$ 2,70–2,80 para quase US$ 3,60 por libra-peso, refletindo um cenário de desequilíbrio e impacto direto no bolso dos consumidores norte-americanos.
Consequências imediatas para produtores e consumidores
Matos destacou que os produtores brasileiros já sentem os reflexos da medida, com prejuízos nos contratos e postergações enquanto os EUA enfrentam aumento da inflação na xícara do café, um item muito presente no dia a dia das famílias americanas.
O papel estratégico do café brasileiro e resistência na matriz de blends
Apesar da pressão tarifária, o Brasil mantém sua posição indispensável no fornecimento de café arábica aos EUA. Isso porque o produto é essencial nos blends consumidos no país e substituí-lo não é fácil. A estimativa é que reformular formulas leve até três anos, conforme reforçou Matos, o que garante poderes negociais ao Brasil.
Diversificação e plano de ação como resposta ao tarifaço
Enquanto as negociações com os EUA se desenham para setembro, o Cecafé aposta em alternativas. Entre elas, reforçar vendas para mercados como União Europeia, Ásia, Arábia Saudita e outros países compradores de proteína. Há ainda a proposta de ampliar o benefício do PIS/Cofins (Reintegra) para café verde, passando de 10% para 50%, como forma de aliviar os custos dos exportadores.
Por que o Brasil não pode ser ignorado?
O setor ressalta que, mesmo com queda nos embarques que chegou a quase 27% em julho, o mercado brasileiro bateu recorde de receita. “Menor volume, maior preço”, comentou Matos. E lembrou que a produção global está em déficit há quatro anos, o que torna o café brasileiro ainda mais estratégico.