Missão comercial de alto impacto em destaque
Uma delegação brasileira liderada pelo vice‑presidente e ministro da Indústria, Comércio e Serviços, Geraldo Alckmin, além da senadora Simone Tebet, parte nesta semana para o México com o objetivo de ampliar e diversificar os mercados de exportação, especialmente diante do impacto das tarifas americanas. A agenda inclui reunião de negócios formal com ministros mexicanos e empresários, seminários setoriais e missões técnicas com foco em produtos como carnes, café, biofuel e insumos industriais.
México como contrapeso em meio à guerra tarifária
O aumento de tarifas imposto pelos EUA tem afetado cerca de 3,3% das exportações brasileiras, segundo Alckmin mas sua fatia no total de negócios é muito menor do que há décadas, o que já dava sinais de uma diversificação comercial em curso. Frente a esse cenário, o comércio com o México desponta como alternativa válida. Em 2024, o agronegócio brasileiro exportou 3,23 milhões de toneladas ao mercado mexicano, chegando a mais de US$ 2,9 bilhões, com destaque para carne, soja, café, florestais e açúcar/álcool.
Novos mercados e produtos liberados abrem caminho
Desde 2023, o México tem liderado o processo de abertura de novos mercados, liberando 22 itens brasileiros para importação. A movimentação hoje chega a US$ 870 milhões mensais, com destaque para proteínas (como carne bovina e suína), que representam a maioria dos novos volumes aprovados. Chega-se a metade do valor total dos produtos habilitados nesse período um claro sinal da aposta mexicana no agro brasileiro.
Estratégia bilateral e incremento de facilidades
Alckmin ressaltou ainda que, além da ampliação do acesso a bens agrícolas, estão em discussão iniciativas como visto eletrônico para negócios e turismo, além do fortalecimento de parcerias tecnológicas e ambientais. Tal estratégia segue orientada por estudos da ApexBrasil que identificaram mais de 430 oportunidades de exportação para o Brasil no México.
A missão ao México representa um passo pragmático e estratégico para reduzir a dependência do mercado americano e consolidar o Brasil em cadeias comerciais que combinem produtos com valor agregado e resiliência geoeconômica. Com novo ambiente diplomático e facilidades operacionais, o país busca garantir mercado, competitividade e estabilidade no agronegócio.