Cenario Rural

Economia em marcha lenta: PIB cresce 0,4% no 2º trimestre, mas serviços e indústria seguram recuperação

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O 2º trimestre confirma arrefecimento, mas vem acima do esperado

A economia brasileira registrou alta de 0,4% no segundo trimestre de 2025 em comparação ao trimestre anterior abaixo do ritmo do primeiro trimestre (1,3%), mas acima da expectativa do mercado de 0,3 %. Mesmo com desaceleração, o PIB atingiu R$ 3,2 trilhões, consolidando o maior nível da série histórica que começou em 1996.

Na comparação anual, a economia cresceu 2,2%, impulsionada por setores como agropecuária, indústria e serviços. No acumulado dos últimos quatro trimestres, o crescimento foi de 3,2%, enquanto nos primeiros seis meses o avanço chegou a 2,5%.

Destaques setoriais: quem segurou a frente

  • Serviços cresceram 0,6%, com investimentos fortes em finanças, seguros, tecnologia da informação e logística.

  • Indústria avançou 0,5%, puxada por um forte desempenho nas indústrias extrativas (+5,4%). A construção e transformação continuaram sob pressão.

  • Agropecuária recuou levemente (-0,1%), após forte desempenho no trimestre anterior.

Consumo e investimentos: caminhos opostos

  • Consumo das famílias avançou 0,5%, sustentado por renda real em crescimento e políticas de transferência de renda.

  • Consumo do governo recuou 0,6%, e os investimentos (formação bruta de capital fixo) tiveram queda expressiva de 2,2%, refletindo o impacto dos juros elevados.

Setor externo ajuda e inflação ganha fôlego para afrouxamento monetário

Exportações subiram 0,7% enquanto importações caíram 2,9%, contribuindo positivamente para o PIB. Essa melhora contribui para uma inflação doméstica mais controlada, aumentando a chance de que o Banco Central inicie cortes na taxa Selic (hoje em 15%) ainda neste ano.

O futuro próximo: horizontes mais cautelosos

Apesar do resultado levemente positivo, economistas projetam crescimento mais modesto nos próximos trimestres na faixa de 0,3% ou menos com previsão de PIB de 2,3% em 2025 e possível desaceleração para abaixo de 2% em 2026.

A economia brasileira mostrou resiliência na virada do trimestre, impulsionada principalmente por serviços robustos e setor extrativo. No entanto, a desaceleração do consumo público, investimentos e agropecuária sinaliza um momento de cautela. A continuidade desse fôlego dependerá de uma política monetária mais suave e da retomada dos investimentos nos próximos meses.

Resumo dos Indicadores Econômicos

Indicador Segundo trimestre (t/t-1) Ano a ano Tendência futura
PIB geral +0,4% +2,2% Crescimento mais moderado
Serviços +0,6% Principal motor de retomada
Indústria +0,5% Sustentada por extrativismo
Agropecuária –0,1% Em recuperação após forte 1º T
Consumo das famílias +0,5% Sustentado por políticas sociais
Investimentos –2,2% Preocupante para crescimento
Exportações / Importações +0,7% / –2,9% Apoiam o PIB via saldo externo
Política monetária Selic em 15% Possível alívio dependendo da inflação
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