Cenario Rural

Momento decisivo: Comissão Europeia apresenta acordo UE-Mercosul e põe pacto em votação esta quarta-feira

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Acordo oficial à mesa da UE

A Comissão Europeia apresentou nesta quarta-feira (3/9) o texto final do acordo comercial entre a União Europeia e o Mercosul (Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai) para aprovação formal. O documento agora segue para o Parlamento Europeu e para os 27 Estados-membros, exigindo maioria qualificada para avançar.

Padrões de liberalização e proteções agrícolas

O pacto prevê eliminação de tarifas alfandegárias sobre cerca de 91 % das exportações da UE e 92 % das do Mercosul, escalonadas ao longo de até 15 anos. Produtos sensíveis, como carne, açúcar e etanol, estarão sujeitos a quotas. Após pressão de setores europeus, o texto foi ajustado para incluir cláusula de supervisão de importações, fundo compensatório de €1 bilhão/ano e possibilidade de reativação de tarifas em caso de danos.

Freios franceses e aliados europeus

França lidera a resistência ao acordo, preocupada com os impactos na agricultura interna e nos padrões sanitários. Polônia e Itália também demonstram reservas. Mesmo assim, há apoio de Alemanha, Espanha e setores industriais que enxergam oportunidades em automóveis, produtos farmacêuticos e acesso a matérias-primas estratégicas, além de diversificar fornecedores diante do protecionismo dos EUA e da dependência da China.

O que está em jogo

  • O tratado seria o maior acordo comercial da história da UE, reunindo cerca de 780 milhões de consumidores, segundo dados da Wikipédia.

  • O acordo envolve redução de barreiras, cooperação ambiental, proteção da propriedade intelectual e previsões sobre diretrizes sustentáveis ainda que organizações ambientais alertem sobre riscos como desmatamento.

  • A expectativa diplomática é que, se aprovada, a ratificação provisória possa ocorrer ainda em 2025.

A apresentação formal do acordo UE-Mercosul marca um momento estratégico para o agro e a economia brasileira. Se ratificado, o pacto oferece escala, previsibilidade e novos mercados — mas também exige preparo para enfrentar requisitos de sustentabilidade, adaptação produtiva, rastreabilidade e governança ambiental. Resta agora ver se a diplomacia econômica da UE prevalecerá sobre as tensões internas.

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