Cenario Rural

MAPA busca reforço regulatório: oficina nacional prepara agro brasileiro para padrões internacionais exigentes

Agronegocio-sustentabilidade

Oficina em Brasília: escopo e participantes

Entre 8 e 10 de setembro de 2025, o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), em parceria com a agência alemã de cooperação internacional GIZ, promoveu uma oficina técnica em Brasília. O objetivo foi coletar contribuições da ponta produtiva para a implementação da Plataforma Agro Brasil + Sustentável (AB+S), especialmente no que se refere à adequação do agro brasileiro ao Regulamento da União Europeia sobre produtos livres de desmatamento (EUDR).

Participaram produtores rurais, representantes setoriais e especialistas de diversas cadeias produtivas, entre elas soja, madeira, café, cacau, borracha, óleo de palma e carne.

O que é a Plataforma Agro Brasil + Sustentável

  • Trata-se de uma iniciativa do Mapa, ligada ao Programa de Políticas Agropecuárias Sustentáveis, que visa oferecer uma interface pública digital para que produtores consigam provar conformidade socioambiental, rastreabilidade e práticas sustentáveis.

  • A plataforma é voluntária, sem custo para o produtor, e fornece três módulos principais: conformidade (quem, o que, onde, quando foi produzido), boas práticas (como foi produzido, certificações, práticas sustentáveis) e cadeia de custódia (padronização, rastreabilidade).

  • Informações importantes: o produtor escolhe se adere, quais dados serão compartilhados, e com quem. Há uma preocupação de privacidade e segurança dos dados.

Principais desafios levantados

Durante a oficina, foram identificados diversos empecilhos práticos para que o Brasil atenda aos novos requisitos externos:

  1. Certificação e credenciamento
    Muitos produtores, especialmente os de menor porte, relataram dificuldades para obter certificações ambientais ou de origem que sejam reconhecidas internacionalmente.

  2. Integração de bases de dados
    Há várias bases estaduais, federais e privadas que contêm dados sobre propriedades rurais, uso de solo, CAR (Cadastro Ambiental Rural), certificações etc. Integrar tudo isso em sistemas que funcionem bem para comprovação é desafiador tecnicamente.

  3. Custo e capacidades técnicas
    Instalar sistemas de rastreabilidade, manter registros ambientais, realizar georreferenciamento, contratar certificações: tudo isso demanda investimento e conhecimento que nem todos os produtores têm. Capacitação foi destacada como necessidade urgente.

  4. Mercado global exigente e risco de barreiras comerciais
    A EUDR exige que produtos exportados para a UE sejam livres de desmatamento recente. Com isso, compradores e reguladores externos vão exigir comprovações rigorosas. Sem isso, há risco de exclusão do mercado ou barreiras significativas.

Resultados esperados e próximos passos

  • Da oficina sairão propostas concretas que alimentarão a construção da plataforma, tornando-a mais funcional e aderente às realidades das cadeias produtivas.

  • Espera-se que a plataforma seja um facilitador para acesso a mercados estrangeiros, aumentar competitividade, e também melhorar condições de crédito para produtores que comprovarem práticas sustentáveis.

  • Inclusão de certificadoras credenciadas, estrutura de auditorias, diálogo com instituições financeiras, para que critérios socioambientais possam contar na análise de crédito.

Contexto regulatório internacional

  • O Regulamento da União Europeia sobre produtos livres de desmatamento (EUDR) entrou em vigor com requisitos que cobrem produtos como soja, madeira, carne bovina, café, cacau, borracha e óleo de palma. Importadores europeus exigem, a partir desse regulamento, comprovações detalhadas de origem, rastreabilidade, condição ambiental do solo da propriedade, etc.

  • A Rainforest Alliance, entre outras entidades internacionais, já mapeou que os requisitos do EUDR são distintos e mais rigorosos que algumas normas privadas ou certificações anteriores, o que exige adaptação de práticas no campo.

A oficina do MAPA reforça que o Brasil está ciente: não basta produzir em volume, é preciso garantir que a produção esteja em conformidade com as normas ambientais globais. A Plataforma Agro Brasil + Sustentável apresenta-se como instrumento chave para essa transição, mas seu êxito vai depender de investimento, integração de dados, certificação acessível e suporte prático aos produtores. Se conseguir unir essas peças, o Brasil tem potencial para manter e expandir seus mercados externos sem sofrer penalizações regulatórias.

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