Cenario Rural

Indústria de laticínios em MS beira colapso com queda de 40% na produção e concorrência com importados

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Queda histórica na produção de leite

A produção de leite em Mato Grosso do Sul caiu quase 40% entre 2010 e 2023, segundo dados divulgados pelo Sindicato das Indústrias de Laticínios do estado (Silems). Em 2010, o volume produzido alcançava cerca de 511,3 milhões de litros; em 2023, esse número despencou para 307,1 milhões. O setor industrial de laticínios afirma que a crise é grave: apenas 42,5% do leite produzido em MS é processado por indústrias locais, o que evidencia perda de competitividade.

Indústrias vivem em estado de emergência

Em carta aberta divulgada em 15 de setembro de 2025, o Silems alertou para o risco de fechamento de empresas do setor. O sindicato afirma que, enquanto produtores rurais recebem incentivos públicos, as indústrias estão sendo deixadas de lado em termos de políticas de apoio específicas. O processamento local caiu: em 2024 foram industrializados 112,5 milhões de litros, uma retração de 13,9% em relação ao ano anterior. Essa queda agrava os desafios de manutenção das plantas industriais, de empregos e da cadeia de distribuição de derivados do leite.

Pressão de produtos externos e distorções fiscais

A competitividade do setor sul-mato-grossense sofre também com a entrada de produtos de outras regiões. Em 2024, o estado importou R$ 181,4 milhões em leite UHT de fora e R$ 86,2 milhões em queijo muçarela. Essas importações criam concorrência interna para laticínios locais que já operam com margens reduzidas. Entre as solicitações na carta do Silems estão revisão da tributação estadual, especialmente do ICMS, priorização de produtos locais em compras públicas para incentivar o setor interno, e a retirada de laticínios da substituição tributária, medida que, segundo a entidade, penaliza indústrias locais.

Propostas e demandas emergenciais

O setor sugere medidas imediatas para evitar o colapso: estímulo à industrialização local, apoio fiscal, garantias para escoamento e compras públicas que priorizem derivados produzidos em MS. O sindicato defende também políticas que igualem a competição frente a produtos importados de outros estados, com ajustes tributários que permitam às empresas locais sobreviver. Ainda segundo a Silems, sem ações urgentes muitas unidades industriais podem desativar, aumentando desemprego e reduzindo disponibilidade de leite processado no estado.

A indústria de laticínios em Mato Grosso do Sul atravessa um momento crítico. A queda expressiva na produção, a baixa proporção de processamento local, a concorrência externa e os custos tributários colocam em xeque a sustentabilidade do setor industrial. As demandas feitas ao governo estadual vão além de apoio financeiro; pedem condições estruturais e regulatórias que permitam ao segmento competir em pé de igualdade. Se nada mudar, o risco de falência de unidades industriais e de desequilíbrio no abastecimento local de laticínios pode se tornar realidade.

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