Escala prevista de produção e exportação
A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) projeta que o Brasil eleve sua exportação de soja na safra 2025/26, impulsionado pelo aumento da demanda exterior especialmente da China e pela redução esperada das remessas dos Estados Unidos. Embora a Conab ainda não tenha divulgado todos os dados definitivos, análises de mercado e projeções de empresas do setor apontam para um período com produção robusta, estimada em torno de 180 milhões de toneladas no país, conforme dados da empresa agropecuária 3Tentos. Isso representaria aumento de quase 10 milhões de toneladas sobre a safra anterior (2024/25), que já foi recorde.
Ao mesmo tempo, o USDA, órgão que monitora oferta e demanda global nos EUA, reduziu recentemente sua previsão para exportações americanas de soja em 2025/26 para cerca de 45,8 milhões de toneladas, frente aos 51 milhões exportados no período anterior. Essa redução ocorre em meio ao conflito tarifário com a China, que tem adotado sobretaxas sobre a soja dos EUA.
Como a China se coloca como protagonista
Um movimento forte observado neste momento é a substituição gradual da soja americana pela brasileira nas compras chinesas. De janeiro a agosto de 2025, o Brasil exportou quase 66 milhões de toneladas de soja para a China, o que representa cerca de 85% das exportações totais do grão realizadas pelo Brasil nesse período. Esse nível de participação chinesa nas exportações brasileiras só era comparável a 2018, mas com volumes significativamente maiores hoje.
Nos portos brasileiros, o prêmio para exportação continua alto, sustentado pela forte demanda da China e pela diminuição das ofertas vindas dos EUA. Mesmo com uma safra recorde no Brasil, os estoques globais, expectativas de importações e as reservas feitas por China mantêm o cenário favorável para os exportadores brasileiros.
Riscos e variáveis que podem alterar o curso
Apesar das perspectivas muito positivas, há uma série de fatores que podem mudar o resultado esperado:
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Clima: atraso no início das chuvas ou fenômenos como La Niña ou El Niño podem impactar produtividade, especialmente no Centro-Oeste.
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Câmbio: valorização excessiva do real pode reduzir competitividade da soja brasileira no mercado externo.
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Tarifas e tensões comerciais: caso haja negociação entre EUA e China que leve à redução de tarifas, os EUA poderiam recuperar parte das vendas perdidas, pressionando os preços do Brasil.
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Logística e custos internos: transporte, frete, armazenamento, custos de insumos e infraestrutura portuária continuam presentes e podem corroer margens, mesmo com demanda favorável.
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Eventual excesso de oferta: ainda que os estoques globais estejam sendo reforçados, se houver safra abundante em vários países, a pressão de oferta pode causar queda nos prêmios.
A safra 2025/26 pinta para ser histórica para o Brasil: projeções de produção recorde, uma China extremamente presente nas compras e menos concorrência dos EUA nas exportações globais formam combinação que favorece fortemente o cenário brasileiro. Se tudo der certo, poderemos ver novos recordes de exportação de soja já nos próximos meses. Ainda assim, a sustentabilidade dessa vantagem dependerá da capacidade do país de manter produtividade, infraestrutura e responder rápido a choques climáticos ou geopolíticos.