Cenario Rural

Exportações brasileiras de carne bovina para os EUA devem cair drasticamente em setembro, sob pressão das tarifas

carne2

Queda brusca nos embarques

A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carne (Abiec), através de seu presidente, Roberto Perosa, estimou que as exportações de carne bovina brasileira para os Estados Unidos em setembro de 2025 vão cair para aproximadamente 7 mil toneladas. Esse volume representa queda em relação às 9 mil toneladas exportadas em agosto, e muito abaixo da média de 30 mil toneladas mensais antes da aplicação das novas tarifas.

A redução está diretamente associada às tarifas impostas pelos EUA sobre produtos da carne bovina brasileira a partir de 6 de agosto, que passaram a elevar a carga tributária total para 76,4% (incluindo uma sobretaxa de 50% além de tarifas já existentes) nos embarques que ultrapassam cotas.

Impactos no ranking de compradores

Com essa retração, os Estados Unidos deixaram de ser o segundo maior importador da carne bovina brasileira. O México assumiu essa posição, aproveitando para aumentar suas compras. Ao mesmo tempo, a China permanece como principal destino dos embarques brasileiros.

Efeitos para o setor

Segundo Perosa, a perda desse mercado (EUA) representa uma diferença significativa para as indústrias exportadoras. Embora ainda existam exportações para os EUA, a competitividade obtida anteriormente está sendo severamente testada pelas tarifas elevadas.

Produtores e exportadores têm buscado mercados alternativos para compensar a queda Ásia e África são apontados como destinos onde a demanda permanece mais estável ou em crescimento. Além disso, há forte pressão para negociações diplomáticas com os EUA a fim de reverter ou suavizar as tarifas.

Possíveis implicações futuras

  • A expectativa é que o setor continue a sofrer com margens menores nos embarques para os EUA, ao menos enquanto a tarifa mais alta permanecer.

  • Essa situação pode acelerar a diversificação da pauta exportadora, tanto em termos de geografias quanto de cortes de carne bovina com valor agregado diferente.

  • Há o risco de estoques aumentarem, com produtores se esforçando para encontrar destinos alternativos, o que pode pressionar preços ou levar a descontos em mercados domésticos ou nos países compradores menos exigentes.

  • O custo da logística e da certificação sanitária para adaptar o produto a outros mercados pode se tornar um diferencial competitivo ou barreira, dependendo da escala dos exportadores.

Setembro de 2025 deve confirmar que o “tarifaço” dos EUA trouxe um novo patamar de barreiras para as exportações brasileiras de carne bovina. A estimativa de queda para cerca de 7 mil toneladas não é apenas uma variação marginal, mas sim um recuo significativo em comparação aos volumes de antes de agosto. O setor exportador reconhece que a capacidade de resposta dependerá de negociações internacionais, adaptação rápida para novos mercados e manutenção da competitividade frente ao cenário global.

WhatsApp
Facebook
Twitter
LinkedIn
Pinterest

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *