Cenario Rural

Senadores dos EUA propõem revogação parcial do tarifão que sobrecarrega produtos brasileiros

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A pressão política nos Estados Unidos para reverter os efeitos do tarifão sobre produtos brasileiros ganhou novo capítulo nesta quinta-feira (18/09/2025). Um grupo de cinco senadores entre eles figuras de ambos os partidos apresentou uma resolução cujo objetivo é cancelar parte da sobretaxa de 50% imposta a produtos exportados pelo Brasil, incluindo a taxa adicional de 40% anunciada em agosto. A proposta não abrange, por enquanto, o adicional de 10% que vinha sendo cobrado desde abril.

Os senadores que assinam o documento são Rand Paul (Republicano, Kentucky), Jeanne Shaheen (Democrata, New Hampshire), Tim Kaine (Democrata, Virgínia), Ron Wyden (Democrata, Oregon) e Chuck Schumer (Democrata, Nova York). Eles argumentam que a aplicação da Lei de Poderes de Emergência Econômica Internacional (IEEPA), que sustentou a imposição dos 40%, não se justifica no caso do Brasil, uma vez que, segundo eles, os EUA mantém superávit comercial com o Brasil o que contraria a alegação de “emergência econômica” usada para justificar a medida.

Segundo os senadores, o tarifão tem efeitos negativos domésticos nos Estados Unidos: aumentos nos preços de itens de consumo cotidiano, como café, carne bovina, soja e derivados, que se tornam menos competitivos frente a concorrentes internacionais, especialmente a China. Também há preocupação com impactos sobre empregos americanos ligados ao comércio bilateral, estimados em cerca de 130 mil postos.

Implicações e desafios da proposta

A resolução senatorial representa uma resposta institucional significativa ao tarifão, mas enfrenta alguns obstáculos. Primeiro, é necessário que o projeto obtenha maioria no Senado para que avance, e como o Congresso americano está dividido e com tendências de apoio às medidas protecionistas, a votação pode não ser simples.

Também haverá pressão geopolítica e diplomática: a reversão parcial das tarifas mexe com interesses das indústrias domésticas nos EUA que se beneficiam da proteção tarifária. Do outro lado, o Brasil já tem reagido através de ações na Organização Mundial do Comércio (OMC) e com medidas de reciprocidade comercial.

Além disso, ainda não há clareza sobre o cronograma de tramitação dessa resolução nem sobre os efeitos práticos imediatos de uma revogação parcial por exemplo, quais produtos seriam liberados primeiro, se haverá compensações ou ajustes comerciais com parceiros brasileiros, e como isso afetaria o ambiente de exportações no curto prazo.

A iniciativa dos senadores americanos de derrubar parte do tarifão contra o Brasil surge não apenas como um gesto diplomático, mas como reconhecimento de que as tarifas estão causando prejuízos internos aos EUA seja pelo aumento de preços ao consumidor ou pelas disfunções no comércio bilateral. Se aprovada, a resolução pode aliviar parte da pressão sobre exportadores brasileiros que perderam competitividade nos EUA, e talvez abrir espaço para negociações mais amplas. Ainda assim, o sucesso dependerá do comprometimento político no Congresso dos EUA, da reação das indústrias afetadas e da capacidade de adaptação do setor exportador brasileiro frente ao cenário regulatório em evolução.

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