Intensificação das fiscalizações diante de tragédia
Na terça-feira (30 de setembro de 2025), a Vigilância Sanitária estadual e municipal em conjunto com a Polícia Civil interditaram três bares nos bairros nobres de São Paulo e em São Bernardo do Campo, sob suspeita de comercialização de bebidas adulteradas com metanol. Os estabelecimentos atingidos ficam nos Jardins, na Mooca e no ABC paulista. A ação faz parte de uma investigação mais ampla sobre intoxicações relatadas no estado.
Durante as fiscalizações, foram apreendidas mais de cem garrafas sem documentação de procedência nos bares da capital. Em São Bernardo do Campo, várias garrafas foram recolhidas e encaminhadas para perícia. Um minimercado no Planalto Paulista também teve garrafas de uísque, gin e vodca retiradas de circulação, e distribuidoras foram alvo de medidas preventivas de paralisação parcial de vendas.
O governo estadual confirmou que já foram sete casos confirmados de intoxicação por metanol, com pelo menos cinco mortes investigadas. Outros 15 casos suspeitos seguem em apuração. Para coordenar a resposta, foi instaurado um gabinete de crise que articula fiscalização, atendimento hospitalar e investigação criminal.
Efeitos tóxicos e investigação em andamento
O metanol é um tipo de álcool perigoso, diferente do etanol utilizado em bebidas. Seu consumo pode causar náuseas, vômitos, dores abdominais e, em casos mais graves, perda da visão permanente, alterações neurológicas e morte. As vítimas devem ser atendidas com urgência, e o diagnóstico precoce é essencial para limitar sequelas.
No bar Ministrão, localizado nos Jardins, um dos casos ganhou destaque: uma cliente relatou perda de visão depois de consumir bebidas no estabelecimento. Esse episódio foi um dos gatilhos para a interdição do local. As autoridades fiscalizam a origem dos lotes apreendidos, bem como os distribuidores e remessas que abasteceram os bares investigados.
Repercussão pública e autoridade sanitária
A intervenção foi considerada urgente pelo governo estadual, que buscou interromper qualquer risco imediato à saúde pública. Segundo o governador de São Paulo, até que a origem dos lotes suspeitos seja completamente esclarecida, os bares permanecerão interditados.
O Ministério da Saúde e demais órgãos envolvidos divulgaram orientações aos estabelecimentos que comercializam bebidas alcoólicas: devem exigir nota fiscal, verificar lacres, evitar fornecedores com histórico duvidoso e suspender lotes suspeitos até que análises sejam concluídas. Também foram alertadas unidades de saúde para estarem preparadas, inclusive com antídotos e protocolos para tratar intoxicações por metanol.