Consumo doméstico recua sob pressão dos preços
Em 1º de outubro, data que marca o Dia Internacional do Café, o setor cafeeiro brasileiro celebra sua importância cultural e econômica — mas enfrenta desafios intensos. A Associação Brasileira da Indústria do Café (ABIC), que entrevistou cerca de 4.200 pessoas, registrou que 24% dos consumidores afirmaram ter reduzido o consumo do produto. Esse é o maior índice já verificado na série histórica da entidade. O motivo mais apontado? O impacto significativo dos preços na cesta de compras. Segundo dados compilados pela ABIC com base no IBGE, o café foi um dos alimentos que mais pressionaram a inflação nos últimos dois anos, acumulando alta superior a 70%.
Tarifas, barreiras e disputas comerciais ampliam os riscos
A ampliação dos obstáculos para o café brasileiro não vem apenas do lado interno. Desde agosto, incide sobre o produto uma sobretaxa de 50% imposta pelos EUA — uma medida que tem sido alvo de críticas no setor. Marcos Matos, diretor-geral do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé), reforça a mobilização da cadeia para buscar isenção desses tributos.
Além disso, o setor se vê à mercê de exigências ambientais internacionais, especialmente no mercado europeu. A nova legislação da União Europeia sobre desmatamento passa a condicionar importações à comprovação de origem sustentável. Em resposta, representantes do café brasileiro destacam que o país já opera com práticas sustentáveis e que a produção nacional de café é carbono negativo — ou seja, sequestra mais carbono do que emite.
Marca nacional e confiança apesar da tempestade
Mesmo sob essas pressões, o café continua presente no cotidiano da maioria dos lares brasileiros. A pesquisa da ABIC revelou que 98% dos consumidores disseram consumir café regularmente, e 87% reconhecem o selo de qualidade da ABIC como critério de confiança. Para Celírio Inácio, diretor-executivo da entidade, isso indica que o consumidor continua valorizando qualidade, mesmo diante de preços elevados.
A Cecafé, por sua vez, reforça que o café é parte do legado cultural brasileiro — em 2027, completará 300 anos no país. Em discurso à cadeia, Marcos Matos afirmou que o setor “reafirma compromisso com sustentabilidade, competitividade e eficiência”, mesmo diante de ventos contrários