Revisão para cima: Brasil cresce 2,4 % em 2025
O Fundo Monetário Internacional (FMI) revisou sua estimativa para o Brasil em 2025, projetando um crescimento de 2,4 %, 0,1 ponto percentual acima da previsão anterior, divulgada em julho. Essa melhora reflete expectativas de recuperação gradual da atividade, ajustes nas políticas monetárias e efeito das exportações, apesar dos desafios externos recentemente impostos.
Para 2026, porém, o FMI adotou tom mais cauteloso e reduziu a projeção para 1,9 %, 0,2 ponto abaixo da estimativa anterior, sinalizando expectativa de arrefecimento da expansão econômica.
Inflação, emprego e condicionantes do desempenho
O relatório do FMI também revisou as expectativas para a inflação medida pelo IPCA, prevendo 5,2 % para 2025, frente aos 4,4 % registrados no ano anterior, e indicando uma azaleração para 4,0 % em 2026. A análise considera incertezas fiscais e pressão de preços persistente, mas pondera que eventual valorização do real pode amenizar parte desse impacto.
No mercado de trabalho, o FMI projeta leve aumento do desemprego: de 6,9 % em 2024, saltando para 7,1 % em 2025 e alcançando 7,3 % em 2026.
O Fundo aponta que o crescimento projetado será condicionado por políticas monetárias e fiscais mais restritivas — necessárias para conter desequilíbrios — e pelos efeitos do “tarifaço” dos EUA sobre as exportações brasileiras.
Impactos esperados no agronegócio brasileiro
Para o setor agropecuário, esse cenário de expansão moderada com incertezas traz desafios e oportunidades:
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Exportações como alavanca: A recuperação da atividade econômica e demanda global podem favorecer a exportação de grãos, carnes e outros produtos agrícolas, compensando fragilidades no mercado interno.
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Pressão de custos: A inflação mais alta pode encarecer insumos agrícolas (fertilizantes, defensivos, energia, máquinas), comprimindo margens, especialmente para produtores com menor escala.
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Câmbio e competitividade: Se o real se valorizar mais do que o esperado, exportações poderão perder competitividade. Por outro lado, estabilidade cambial tende a favorecer os negócios externos agrícolas.
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Necessidade de eficiência: Em ambiente de crescimento modesto, ganhos por aumento de produtividade, uso de tecnologia e redução de desperdício se tornam ainda mais cruciais.
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Riscos externos: Tarifas, barreiras comerciais (como as impostas pelos EUA), flutuações dos mercados internacionais e clima incerto serão variáveis de peso para que a projeção de 2,4 % se traduza em ganhos reais para quem produz.