Recursos encolhem para custeio e investimento no agro
Segundo levantamento da Farsul, o volume de recursos efetivamente liberados para o crédito rural no Brasil registrou queda expressiva entra as safras: no primeiro trimestre da safra 2025/26 (julho-setembro) houve retração de 23% nos recursos destinados ao custeio em relação ao mesmo período anterior, e queda ainda maior de 44% nos recursos para investimento.
No estado do Rio Grande do Sul os recuos são semelhantes, com 25% de queda no custeio e 39% nos investimentos. A entidade afirma que não se trata de um problema restrito ao Sul, mas de uma crise nacional.
Inadimplência atinge níveis históricos
A crise de crédito agrava-se pela elevação da inadimplência entre produtores rurais. Em julho de 2025, a taxa geral já alcançou 5,14%, superando o recorde anterior de 2017 (aproximadamente 3%). Para operações com taxas de mercado livre, o índice chegou a 9,35%, enquanto em crédito controlado ficou em 1,86%. A Farsul destaca que os efeitos da alta da taxa básica de juros ainda não se encerraram, e que o cenário pode piorar antes de melhorar.
Garantias mais rígidas e alertas ao produtor
Como reflexo da elevação da inadimplência e da retração do crédito, as instituições financeiras têm exigido garantias mais robustas — especialmente a alienação fiduciária de bens rurais. O diretor jurídico da Farsul, Nestor Hein, orienta que os produtores evitem comprometer excessivamente seu patrimônio nessa modalidade e considerem outras formas de garantia, como hipoteca, para evitar riscos maiores.
Impactos potenciais e riscos para a safra
A queda no acesso ao crédito e no volume de recursos disponíveis influencia diretamente a operação do agronegócio: pode reduzir investimentos em tecnologia, adiar plantios, limitar obtenção de insumos ou mesmo reduzir área produtiva. Isso representa risco para a produtividade e para o rendimento da safra.
A Farsul classifica esse momento como “a maior crise de crédito rural desde o Plano Real”, em referência ao período pós-1995, quando foi estabelecido o real como moeda.
Caminhos para contornar o cenário
Para superar a crise, a federação recomenda ao governo federal e ao setor produtivo que:
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Reavaliem e ampliem as linhas de crédito rural, tanto de custeio quanto de investimento.
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Reforce os mecanismos de mitigação de risco, como seguro rural e Proagro, que vêm perdendo força.
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Ajustem prazos, taxas e garantias para adequar-se ao momento de maior dificuldade financeira dos produtores.
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Incentivem maior diversificação de fontes de financiamento e linhas de crédito alternativas.