Ação se torna a mais letal da história do estado
O número de mortes na megaoperação policial realizada em diversas comunidades do Rio de Janeiro já ultrapassou 120 pessoas, segundo levantamento da Defensoria Pública do Estado (DPERJ) divulgado nesta segunda-feira (14). A ação, que envolveu forças estaduais e federais, é considerada a mais letal da história fluminense, superando episódios anteriores amplamente criticados por organizações de direitos humanos.
Comunidades sob cerco e relatos de abuso
A operação, que começou no início da semana, concentrou-se em áreas dominadas por facções do tráfico e milícias, com presença intensa de blindados, helicópteros e agentes armados. Moradores relatam invasões de casas, interrupção de serviços básicos e desaparecimentos.
Entidades civis afirmam que a ação desrespeitou protocolos de segurança e direitos fundamentais. A Defensoria informou que há indícios de execuções sumárias e pediu que o Ministério Público atue imediatamente na investigação.
Governo do Rio defende operação
Em nota, o governo estadual afirmou que a operação teve como objetivo “neutralizar lideranças criminosas e restaurar a ordem pública”, classificando-a como “bem-sucedida”. O governador Cláudio Castro declarou que a ação “enfrentou o crime organizado de frente” e que a letalidade se deve à resistência armada das facções.
ONU e OAB pedem apuração independente
A gravidade dos números chamou atenção internacional. A ONU pediu uma investigação imparcial e urgente, ressaltando que o Brasil é signatário de tratados que proíbem execuções extrajudiciais. A OAB-RJ também se manifestou, solicitando transparência nos laudos e responsabilidade dos agentes envolvidos.
Debate sobre segurança e política pública
O episódio reacende o debate sobre a eficácia da política de segurança baseada em confrontos e o impacto das operações em áreas pobres e racializadas. Especialistas apontam que o aumento das mortes não tem reduzido o poder das facções, e que o foco deveria migrar para inteligência, investigação e redução das causas estruturais da violência.
Situação ainda instável
Apesar do encerramento formal da operação, helicópteros e efetivos continuam em patrulha, e moradores relatam clima de medo e tensão. A Defensoria Pública mantém equipes nas comunidades para acompanhar denúncias e garantir assistência às famílias das vítimas.