Cenario Rural

Moagem de cana no Centro-Sul desacelera: volume de novembro preocupa setor sucroenergético

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Queda brusca interrompe ritmo de processamento após sequência de bons resultados

As usinas da região Centro-Sul do Brasil registraram uma queda inesperada na moagem de cana-de-açúcar na primeira quinzena de novembro, interrompendo a sequência de altos volumes processados nas últimas safras. Esse recuo acende um alerta entre produtores, fornecedores e toda a cadeia do setor sucroenergético já que dificuldades logísticas, variações climáticas e possíveis atrasos na colheita podem comprometer não apenas a safra atual, mas o planejamento da próxima.

Segundo dados compilados para a primeira quinzena do mês, a tonelagem processada está bem abaixo da média recente para o período o que contrasta com os meses anteriores, em que a moagem variou entre 40 e 50 milhões de toneladas por quinzena. O ritmo forte observava-se em setembro e outubro, período em que o processamento atingiu 45,97 milhões de toneladas na primeira quinzena de setembro e cerca de 34,04 milhões de toneladas na primeira quinzena de outubro.

Preço do açúcar, etanol e ATR: variáveis que pesam sobre a moagem

A desaceleração da moagem ocorre em momento sensível para o setor: os preços internacionais do açúcar seguem pressionados, o mercado de etanol navega entre oferta elevada e concorrência com combustíveis fósseis, e a qualidade da matéria-prima tem mostrado oscilações em diversas regiões. Essa combinação de fatores reduz o incentivo para moagem intensiva, já que o retorno econômico por tonelada de cana moída pode não compensar os custos operacionais em cenários adversos.

Com menor moagem, a oferta de cana destinada à produção de etanol anidro, biocombustível e açúcar se torna mais restrita, o que pode reverberar no abastecimento interno e em contratos de exportação. Se o ritmo não se recuperar, há risco de colapsos pontuais de abastecimento ou de retração nos lucros das usinas.

Consequências da paralisação para produtores e para o mercado

Para pequenos fornecedores de cana, a paralisação repentina significa atraso nos recebimentos, acúmulo de produto pendente e aumento no custo de armazenagem. Muitos deles dependem do giro constante da produção para manter capital de giro, comprar insumos e planejar novas colheitas. A incerteza sobre o retorno de moagem pode levar a um ciclo de desinvestimento e diminuição da produção de safra.

No âmbito macroeconômico, a retração da moagem contribui para reduzir a competitividade brasileira no mercado internacional de açúcar e etanol. Com menor disponibilidade de matéria-prima processada, o Brasil pode perder parte da demanda externa em favor de concorrentes com capacidade de produção mais estável. Isso, em última instância, pode pressionar os preços domésticos e enfraquecer cadeias produtivas dependentes da cana e de seus derivados.

Fator climático e safras: desafios à frente

Especialistas apontam que a irregularidade nas chuvas, períodos de estiagem e oscilações no clima das regiões produtoras têm sido determinantes para o recuo da moagem. A qualidade da cana e a logística de colheita dependem diretamente de condições favoráveis. Quando a colheita perde janela ideal, o processamento sofre, e a moagem recua.

Além disso, a própria estratégia de direcionamento da cana parece estar mais cautelosa neste ciclo, com usinas optando por moagem mais seletiva, privilegiando eficiência e controle de custos em vez de volume bruto. Se o clima seguir instável, o ritmo lento pode se estender, pressionando toda a cadeia de fornecedores, usinas e comerciantes.

O que esperar nas próximas semanas

O setor observa com atenção os próximos boletins de moagem e os indicadores de ATR e produtividade. Caso haja uma recuperação no ritmo de moagem, será possível retomar o ritmo das últimas safras. Mas se a retração persistir os prejuízos podem se estender além da safra atual, afetando contratos, exportações e planejamento de longo prazo no setor sucroenergético.

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