Cenario Rural

Produtor de café perde R$ 150 mil após confiar grãos a cooperativa; empresário presidente está foragido

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Armazenagem de sacas na Cooperativa de Ibiraci termina em prejuízo para casal de cafeicultores

O produtor rural Marcos Paulo da Silva e sua esposa, Kênia Lúcia Adriano, viveram um duro golpe na cafeicultura após deixarem 56 sacas de café armazenadas na Cooperativa dos Cafeicultores e Agropecuaristas de Ibiraci (Cocapil), localizada em Ibiraci (MG), na expectativa de vender os grãos de melhor qualidade por preços superiores no mercado. Eles agora enfrentam um prejuízo estimado em R$ 150 mil após descobrir que as sacas desapareceram sem explicação, e o principal suspeito, o empresário e presidente da cooperativa, Elvis Vilhena Faleiros, está foragido da Justiça.

Marcos, em entrevista à EPTV, relatou que chegou a ser orientado a manter justamente os grãos de melhor qualidade estocados na cocapil, com a promessa de que isso geraria vantagem financeira na hora da venda. Depois de meses aguardando e em meio à necessidade de capital de giro, o casal voltou à cooperativa para retirar sua produção e encontrou as sacas simplesmente ausentes.

Presidente da cooperativa é alvo de investigação e pedido de prisão preventiva

Segundo a Polícia Civil, Elvis Vilhena Faleiros, empresário com atuação em Franca (SP) e presidente da Cocapil, é apontado como principal suspeito de se apropriar dos grãos depositados por produtores. A Justiça decretou prisão preventiva dele, mas até o momento ele não foi localizado pelas autoridades.

A corporação também ouviu dois diretores da cooperativa, que alegaram problemas financeiros na Cocapil, agravados pela crise no mercado cafeeiro e oscilações de preço, como justificativa para a falta de entrega dos produtos aos fornecedores. No entanto, a versão ainda está sob investigação policial.

Impacto vai além do casal: dezenas de produtores podem ter sido lesados

Apenas o caso do casal ilustra uma situação maior. As investigações indicam que cerca de 180 cafeicultores de municípios como Ibiraci (MG), Franca e Cristais Paulista (SP), Claraval (MG) e Cássia (MG) também tiveram sacas desaparecidas, um total reportado de 21 mil sacas de café. O prejuízo coletivo pode ultrapassar R$ 132 milhões caso todos os volumes não sejam recuperados.

Esse tipo de perda ocorre em um contexto de estoques historicamente baixos de café no Brasil e preços internacionais elevados, fatores que têm levado produtores a armazenar mais grãos enquanto aguardam condições mais favoráveis de mercado ou melhores preços negociados nas bolsas e no varejo global.

Consequências financeiras e emocionais para os produtores

Para o casal, o impacto vai além dos números. Sem o montante de R$ 150 mil que contavam receber pelas sacas, a família enfrenta dificuldades para honrar dívidas agrícolas, custos da próxima safra e despesas familiares imediatas, conforme relatado por Kênia. A confiança depositada no presidente da cooperativa, com quem mantinham relacionamento de mais de 20 anos, torna a situação ainda mais traumática.

Em todo o Brasil, produtores de café têm sentido os efeitos de preços elevados e estoques reduzidos: as cotações globais quase dobraram nos últimos 14 meses, levando muitos agricultores a vender antecipadamente parte da produção ou a buscar estratégias de estocagem. Essa situação de mercado aumentou a pressão sobre armazenagem e sobre relações com cooperativas e agentes intermediários.

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