Chuvas e temperaturas favoráveis recuperam lavouras após estiagem
Nas últimas semanas, as lavouras de milho no Rio Grande do Sul registraram progresso significativo no seu desenvolvimento, impulsionadas por um padrão climático mais favorável, que combina precipitações regulares e temperaturas adequadas ao cultivo da cultura. Conforme o Informativo Conjuntural da Emater/RS-Ascar, as precipitações ajudaram a mitigar parcialmente os efeitos da estiagem observada entre o final de novembro e o início de dezembro.
Segundo o boletim técnico, aproximadamente 93% da área projetada para o milho já foi plantada, com a maior parte das lavouras em fase de enchimento de grãos, momento que exige um bom equilíbrio entre umidade do solo e temperatura para formação de espigas e peso de grãos.
Recuperação de produtividade e lavouras irrigadas se destacam
Em áreas irrigadas, as condições climáticas se mostraram ainda mais favoráveis, com o milho apresentando alto potencial produtivo, chegando a 15 000 kg por hectare em algumas parcelas, resultado considerado elevado para a cultura no estado. Já em regiões que sofreram com déficit hídrico no fim de 2025, a chuva permitiu uma recuperação parcial da produtividade, especialmente em lavouras que ainda não haviam entrado em fases críticas durante o período seco.
Na região de Bagé e São Borja, por exemplo, algumas áreas já iniciaram a colheita e relatos preliminares apontam boas produtividades, sobretudo em cultivos implantados no início da janela de plantio.
Acompanhamento fitossanitário e riscos de pragas
Apesar das condições mais favoráveis, técnicos alertam para desafios fitossanitários que vêm acompanhando as lavouras. As chuvas favorecem o desenvolvimento da cultura, mas também aumentam a incidência de fungos e bacterioses, exigindo atenção redobrada nas aplicações de fungicidas e manejos preventivos. Outro agente de risco citado nas análises é a cigarrinha-do-milho, cuja presença já foi verificada em vários pontos do estado, embora ainda sem relatos de enfezamento significativo.
Esses fatores de pragas e doenças são tipicamente mais intensos em ambientes de alta umidade e calor moderado, justamente as condições que agora beneficiam o milho, exigindo que os agricultores reforcem o monitoramento e os tratamentos de campo para preservar o potencial produtivo.
Expectativas produtivas e espaço para colheita
A Emater/RS-Ascar projeta que o cenário atual de desenvolvimento pode resultar em boas produtividades médias no estado, estimadas em torno de 7 370 kg por hectare, valor considerado adequado diante das oscilações climáticas recentes.
No curto prazo, a dinâmica climática seguirá sendo determinante para o milho no RS. Boletins meteorológicos indicam a possibilidade de continuidade de chuvas em parte do território, o que favorece a conclusão do enchimento de grãos e prepara as lavouras para a próxima fase de maturação e colheita. Entretanto, a irregularidade espacial das precipitações significa que alguns municípios podem enfrentar janelas de menor umidade, gerando tensão sobre áreas ainda sensíveis ao estresse hídrico.