As exportações brasileiras para os Estados Unidos registraram em 2025 a maior retração desde 2020, interrompendo uma trajetória de crescimento observada após a pandemia de Covid-19, segundo o Monitor do Comércio Brasil-EUA elaborado pela Amcham Brasil (Câmara Americana de Comércio).
De acordo com o relatório, o total de vendas brasileiras ao mercado americano somou US$ 37,7 bilhões em 2025, com uma queda de 6,6% em relação a 2024 — o menor resultado em cinco anos.
Queda influencia pauta exportadora
Essa retração afetou a participação dos Estados Unidos na pauta de exportações brasileira, que caiu de 12,0% para 10,8% do total embarcado — o menor índice desde 2020.
A Amcham Brasil avalia que fatores como as sobretaxas elevadas impostas pelos EUA a produtos brasileiros e a redução nas vendas de petróleo e combustíveis contribuíram fortemente para a queda dos embarques. Algumas categorias de produtos enfrentaram impostos de 40% a 50%, o que impactou a competitividade dos bens nacionais no mercado americano.
Produtos e setores afetados
Produtos sujeitos a tarifas elevadas tiveram desempenho significativamente pior em 2025:
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Bens sob sobretaxas de 40% ou 50% recuaram cerca de 9,5% no ano.
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Itens da indústria siderúrgica sujeitos a medidas da chamada Seção 232 também registraram queda nas vendas aos EUA.
Além disso, a redução nas exportações de petróleo bruto e combustíveis — influenciada por fatores como maior produção interna nos EUA — também pressionou os números gerais.
Outros produtos com quedas relevantes nas exportações ao mercado americano incluíram celulose, semimanufaturados de ferro e aço, madeira, e equipamentos de engenharia civil.
Crescimento das importações e déficit comercial
Enquanto as exportações recuaram, as importações brasileiras de produtos americanos cresceram pelo terceiro ano seguido, registrando alta de 11,3% em 2025. Isso impulsionou um déficit comercial com os EUA de US$ 7,5 bilhões, um aumento expressivo em comparação com o saldo negativo de US$ 300 milhões em 2024.
Consequências para o comércio bilateral
Analistas da Amcham destacam que a queda interrompe um período de dinamismo observado no comércio bilateral após a pandemia e reforça a necessidade de avançar em negociações para reduzir ou eliminar barreiras tarifárias que hoje prejudicam a competitividade dos produtos brasileiros nos EUA.
O desempenho difere do observado com outros parceiros estratégicos, como China, União Europeia e Mercosul, que em 2025 registraram crescimento nas importações de produtos brasileiros, o que indica que o problema é específico do relacionamento comercial com os EUA neste momento.