Cenario Rural

Tarifaço derruba exportações de café solúvel, mas consumo interno cresce, aponta Abics

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As exportações brasileiras de café solúvel registraram uma queda em 2025, interrompendo o ciclo de expansão que vinha marcando o setor, enquanto o mercado interno mostrou forte crescimento, segundo o Relatório do Café Solúvel do Brasil 2025 elaborado pela Associação Brasileira da Indústria de Café Solúvel (Abics).

Exportações em queda com impacto de tarifas

No acumulado do ano passado, o Brasil exportou o equivalente a 3,688 milhões de sacas de 60 kg de café solúvel — volume 10,6% inferior ao total embarcado em 2024. A redução nos volumes foi atribuída principalmente à taxação de 50% imposta pelos Estados Unidos, principal importador do produto, o que comprometeu a competitividade do solúvel brasileiro naquele mercado.

Os EUA, mesmo com a queda, continuaram como o maior destino das exportações em 2025, com cerca de 558,7 mil sacas, mas com importações 28,2% menores em relação ao ano anterior. Entre agosto e dezembro, período em que a tarifa esteve em vigor de maneira mais intensa, a retração chegou a 40% na comparação ano a ano, segundo avaliação da Abics.

Receita cambial e diversificação de mercados

Apesar da queda no volume embarcado, a receita cambial das exportações atingiu recorde, somando US$ 1,099 bilhão em 2025 — alta de 14,4% em relação a 2024. Esse resultado foi impulsionado pela valorização dos preços internacionais da matéria-prima (cafés arábica e canéfora), que elevou o valor médio do produto exportado.

Além dos Estados Unidos, outros destinos importantes ampliaram suas importações, com destaque para Argentina e Rússia, que cresceram 40,2% e 9,8%, respectivamente, além de movimentos positivos em mercados como Colômbia, México, Indonésia e Vietnã.

Crescimento do consumo interno

Em contraste com o desempenho externo, o consumo de café solúvel no mercado doméstico brasileiro cresceu expressivamente em 2025, atingindo 27,008 mil toneladas (aproximadamente 1,170 milhão de sacas) — um avanço de 9,5% em relação ao ano anterior. Esse movimento reflete uma preferência crescente dos consumidores brasileiros pelo café solúvel, estimulada também pela menor inflação do produto em comparação a outras categorias, como o café torrado e moído.

Desafios e perspectivas

O impacto do tarifaço nos embarques aos EUA expõe a vulnerabilidade dos exportadores brasileiros diante de barreiras comerciais, o que tem reforçado a importância de diversificação de mercados e acordos comerciais mais amplos para reduzir dependência de destinos específicos e aumentar a competitividade do café solúvel no exterior.

Enquanto isso, o mercado interno robusto atua como um amortecedor importante para a cadeia produtiva, sustentando a indústria em um cenário global mais desafiador e oferecendo espaço para ajustes estratégicos em 2026 e além.

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