Os Estados Unidos e o Irã retomaram nesta terça-feira (17) uma nova rodada de negociações sobre o programa nuclear iraniano em Genebra, na Suíça, em meio a um ambiente de alta tensão regional e reforço militar no Oriente Médio, mas também com laços diplomáticos ainda abertos à busca de um acordo. As conversas chegam após uma primeira rodada indireta realizada em Omã no início de fevereiro e são mediadas por representantes do governo de Omã.
Segundo agências internacionais, a segunda rodada de talks começou com a participação de delegações lideradas pelo ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, e representantes dos EUA, incluindo enviados do presidente norte-americano e assessores de alto nível. Enquanto isso, o ministro iraniano reuniu-se em Genebra com o diretor da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) para alinhamentos prévios às discussões diretas na terça-feira.
O que está em pauta nas conversações
O ponto central das negociações é o programa nuclear de Teerã, que Washington e aliados ocidentais veem com preocupação em relação ao potencial de fabricação de armas. Por parte iraniana, a meta declarada é buscar um acordo “justo e equitativo”, mas mantendo posições firmes sobre temas como o direito ao enriquecimento de urânio e a exigência de alívio de sanções econômicas no âmbito de um eventual tratado. As exigências dos EUA incluem limitações rígidas ao programa de enriquecimento, embora diferenças profundas permaneçam sobre detalhes do acordo.
Contexto geopolítico e militar
O reinício das conversas ocorre em um cenário de elevadas tensões regionais, com reforço da presença militar norte-americana no Golfo Pérsico e com exercícios militares do Irã no Estreito de Hormuz, trecho crucial para o tráfego mundial de petróleo, em que as autoridades iranianas chegaram a fechar parcialmente a passagem por “precauções de segurança” no dia das negociações. Essas movimentações refletem a complexa dinâmica de pressão e sinalização entre as partes enquanto a diplomacia tenta avançar.
Desafios e perspectivas
Apesar do reinício dos diálogos, analistas apontam que diferenças substanciais permanecem, principalmente sobre o nível de enriquecimento nuclear que o Irã estaria disposto a aceitar, o papel de inspeções internacionais e possíveis compensações pela suspensão de sanções. A retomada das negociações é vista como um passo importante para evitar uma escalada armada maior, mas um acordo final ainda parece distante diante da complexidade dos temas envolvidos.