Os preços da soja no mercado brasileiro registraram valorização na última semana, impulsionados por uma demanda externa aquecida e maior atratividade dos prêmios de exportação, segundo levantamento do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea). Além do cenário internacional, a postura mais cautelosa de muitos produtores ao comercializar seus estoques também contribuiu para a elevação dos valores domésticos.
Fatores que sustentam a alta
A alta nos preços da soja é atribuída a dois pilares principais:
-
Demanda externa reforçada: A procura global por soja brasileira, especialmente por parte de compradores que buscam volumes antes do início efetivo da nova safra ou com foco em atender contratos internacionais, aumentou a pressão compradora. Isso eleva os prêmios de exportação e estima uma liquidez mais firme no mercado interno.
-
Cautela dos produtores: Muitos sojicultores adotaram uma postura mais cautelosa diante das incertezas climáticas — como irregularidade das chuvas em importantes regiões produtoras — e aguardam condições de preço mais atrativas para vender. Esse comportamento reduz a oferta imediata no mercado físico, sustentando as cotações.
Esse ambiente ocorre em meio ao avançar da colheita, que segundo a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estava em ritmo ligeiramente inferior ao do ano passado em meados de fevereiro, o que também contribui para que o fluxo de grãos disponíveis ao comércio ainda não esteja plenamente formado.
Expectativas de curto prazo
Analistas do setor destacam que, enquanto o cenário externo permanecer com demanda firme e os produtores mantiverem estoques, os preços da soja podem seguir sustentados ou mesmo com tendência de novas altas pontuais no curto prazo. A evolução da colheita no Brasil e as condições climáticas nos estados produtores serão pontos-chave para acompanhar o ritmo dos negócios físicos nos próximos dias.