Cenario Rural

Lula critica Zema por não usar R$ 3,5 bi em obras de prevenção às chuvas em Minas Gerais e lamenta tragédia que já deixou dezenas de mortos

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) criticou o governador de Romeu Zema (Novo) por não ter apresentado projetos estruturados para usar cerca de R$ 3,5 bilhões do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) destinados à prevenção de desastres climáticos e enchentes em Minas Gerais, durante visita às áreas mais afetadas pelas fortes chuvas na Zona da Mata mineira. Segundo o presidente, a falta de prevenção contribuiu para a dimensão da tragédia que atingiu municípios como Juiz de Fora e Ubá.

Tragédia climática na Zona da Mata mineira

Desde o fim de fevereiro, fortes chuvas vêm assolando a Zona da Mata em Minas Gerais, provocando enchentes, deslizamentos de terra e destruição de bairros inteiros. O volume de precipitação registrado em fevereiro de 2026 tornou-se um dos mais altos já medidos na região.

Os dados mais recentes apontam que a tragédia já deixou pelo menos 70 mortos — sendo cerca de 64 em Juiz de Fora e seis em Ubá — e quatro pessoas desaparecidas, com centenas de bairros isolados e milhares de famílias desalojadas ou desabrigadas pelos temporais.

Os deslizamentos e alagamentos também causaram danos severos a casas, infraestruturas urbanas e sistemas de drenagem, forçando autoridades a decretar estado de calamidade pública em Juiz de Fora para mobilizar ajuda emergencial.

Críticas de Lula e debate sobre prevenção

No discurso em Brasília, Lula criticou o que chamou de “descaso histórico com a população pobre” diante da falta de ações preventivas estruturadas, ressaltando que os recursos de R$ 3,5 bi poderiam ter sido aplicados em obras de contenção de encostas, macrodrenagem e infraestrutura de mitigação de enchentes que ajudariam a reduzir o impacto de eventos climáticos extremos.

O ministro das Cidades, Jader Filho (MDB), foi mais incisivo ao afirmar que o governo estadual executou apenas 4,1 % dos recursos disponíveis para obras de prevenção contra enchentes em Minas Gerais, apesar de os valores terem sido pactuados com estados e municípios.

Resposta do governador

Em resposta às críticas, o governador Zema afirmou que Minas Gerais apresentou projetos que somam mais de R$ 9 bi em diversas áreas de infraestrutura, inclusive com propostas relacionadas a contenção de encostas, estradas e mobilidade urbana, e que alguns estavam em andamento, embora tenha criticado o nível de liberação efetiva dos recursos federais.

Ele também pediu união entre as esferas federal e estadual diante da tragédia, destacando que o foco deve estar no atendimento às vítimas e na recuperação da região.

Impactos sociais e ações emergenciais

As enchentes e deslizamentos deixaram um rastro profundo de destruição. Além das dezenas de mortos, milhares de pessoas estão desalojadas ou desabrigadas, com muitas famílias tendo perdido suas casas e pertences.

Em meio à tragédia, o governo federal montou um gabinete de crise interministerial em Juiz de Fora, sobrevoou áreas devastadas e anunciou recursos emergenciais para assistência à população afetada, como ajuda humanitária e restabelecimento de serviços essenciais, além de projetos de moradias gratuitas para desabrigados.

Lula também garantiu que o governo irá ajudar prefeitos a recuperarem suas cidades e oferecer apoio, independentemente de alinhamento político, e comprometeu-se com medidas para reconstrução das áreas destruídas.

Debate sobre gestão de risco e futuro

A tragédia intensificou o debate sobre a necessidade de políticas Públicas estruturadas de prevenção a desastres climáticos, além da urgência em investir em infraestrutura resiliente para minimizar os riscos de alagamentos e deslizamentos em áreas urbanas vulneráveis.

Autoridades locais e especialistas em clima ressaltam que eventos extremos decorrentes de padrões de chuva intensos estão se tornando mais frequentes, o que eleva a necessidade de adaptação climática e planejamento urbano voltado para a redução de riscos.

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