O mercado físico da arroba do boi gordo iniciou o mês de março de 2026 em trajetória de alta, com preços sustentados e possibilidade de ultrapassar a marca de R$ 360 por arroba em algumas praças acompanhadas, em meio a escalas de abate ainda curtas e oferta restrita de animais prontos para o abate.
Alta no início de mês
Nas primeiras negociações de março, os preços da arroba do boi gordo apresentaram avanço em relação ao fechamento de fevereiro, refletindo um ambiente de forte procura por parte dos frigoríficos, que buscam recompor suas escalas de abate após um mês anterior mais movimentado.
Analistas de mercado e referências de preço indicam que:
- A arroba tem tendido a se aproximar ou ultrapassar os R$ 360 em algumas regiões de referência, como São Paulo;
- Outras praças importantes, como Minas Gerais, Goiás, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul também registram valores firmes ou em elevação conforme avança março.
Esse cenário se dá em meio a oferta física ainda limitada de boiadas prontas para o abate, o que mantém o poder de negociação do pecuarista em um patamar elevado nas negociações de curto prazo.
Escalas curtas reforçam demanda
Um dos principais fatores que tem sustentado a alta dos preços no início de março são as escalas de abate mais curtas nas indústrias, que, em média, ainda operam com poucos dias de programação disponível. Isso obriga muitos frigoríficos a aumentar volume de compras no mercado físico para garantir o atendimento de contratos e compromissos comerciais, elevando a pressão sobre as cotações da arroba.
Segundo interlocutores do setor, essa dinâmica deve permanecer enquanto a oferta de animais terminados continuar limitada, favorecendo o atual ambiente de preço.
Fatores que explicam o movimento
O desempenho positivo da arroba no começo de março tem sido influenciado por vários elementos de mercado, incluindo:
- Oferta ajustada de animais prontos para abate, com muitos pecuaristas retendo lotes diante de expectativas de preço mais altos;
- Demanda interna resiliente em algumas regiões do país, mesmo após flutuações sazonais típicas do início do ano;
- Exportações de carne bovina ainda relevantes, contribuindo para a pressão de demanda por animais com padrão exportação.
Esses fatores combinados têm resultado em um cenário de preços firmes, mesmo com ações pontuais de comercialização por parte dos produtores.
O que esperar no curto prazo
Para os próximos dias e semanas de março, analistas apontam que:
- A arroba do boi gordo pode continuar em valorização, especialmente se as escalas de abate permanecerem curtas;
- Qualquer ampliação significativa de oferta de animais ou desaceleração na demanda interna ou externa pode moderar o ritmo de alta;
- A atenção do mercado também se volta para eventos climáticos e safras de grão, que podem influenciar custos de alimentação e, indiretamente, decisões de venda de boiadas pelo pecuarista.
Em resumo, o início forte de março indica que a firmeza de preços observada em fevereiro pode seguir predominando, até que haja mudanças claras no equilíbrio entre oferta e demanda no mercado físico.