Cenario Rural

Governo divulga setores que serão mais afetados pelo novo tarifaço dos EUA

O governo federal divulgou os segmentos da economia brasileira que poderão sofrer os maiores impactos caso os Estados Unidos implementem a tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros, medida proposta pelo Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR). Segundo o Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), aproximadamente 21% das exportações brasileiras destinadas ao mercado norte-americano estariam diretamente expostas à nova taxação.

A medida faz parte de uma investigação comercial conduzida pelo governo do presidente Donald Trump e ainda passará por consultas públicas antes de uma decisão definitiva.

Indústria deve sentir os maiores impactos

De acordo com o ministro Márcio Elias Rosa, os setores mais vulneráveis são aqueles que possuem maior valor agregado e forte presença nas exportações para os Estados Unidos. Entre os segmentos listados pelo governo estão:

  • Máquinas e equipamentos industriais;
  • Produtos plásticos;
  • Calçados;
  • Produtos de madeira, especialmente esquadrias;
  • Papel-cartão;
  • Ferro fundido;
  • Peixes e crustáceos.

Segundo o MDIC, o impacto pode atingir diretamente empregos, renda e investimentos nessas cadeias produtivas, especialmente em estados com forte vocação exportadora.

Agro escapa parcialmente da taxação

Embora o agronegócio acompanhe as negociações com atenção, parte importante da pauta exportadora brasileira ficou de fora da proposta inicial apresentada pelos norte-americanos.

Entre os produtos que aparecem na lista de exceções divulgada pelo USTR estão:

  • Café;
  • Chá e especiarias;
  • Cereais;
  • Sementes e oleaginosas;
  • Frutas;
  • Fertilizantes;
  • Algumas categorias de carnes;
  • Produtos agrícolas destinados à alimentação.

A exclusão desses itens reduz o impacto imediato sobre importantes cadeias do agronegócio brasileiro, embora o setor continue monitorando possíveis alterações no texto final.

Governo descarta negociar soberania nacional

Durante coletiva em Brasília, o ministro Márcio Elias Rosa afirmou que temas relacionados à soberania brasileira não entrarão nas negociações com os Estados Unidos. Segundo ele, questões como o Pix não serão objeto de concessões por parte do governo brasileiro.

A investigação norte-americana cita, entre outros pontos, políticas relacionadas ao sistema de pagamentos brasileiro, propriedade intelectual, etanol, combate à corrupção e desmatamento ilegal.

Negociações continuam até julho

O governo brasileiro informou que mantém diálogo permanente com autoridades norte-americanas. Desde o encontro entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump, equipes técnicas dos dois países vêm realizando reuniões para tentar evitar a aplicação das novas tarifas.

O cronograma divulgado pelos Estados Unidos prevê audiências públicas e recebimento de contribuições até o início de julho. A decisão final sobre a implementação do tarifaço deverá ocorrer até 15 de julho de 2026.

Mercado acompanha impacto sobre exportações

Especialistas avaliam que, caso a medida seja confirmada, os maiores efeitos devem ser sentidos pela indústria de transformação, especialmente segmentos que dependem fortemente do mercado norte-americano. Para o agronegócio, o impacto tende a ser mais limitado devido à exclusão de boa parte dos produtos agrícolas da lista inicial de taxação.

Ainda assim, o setor exportador segue atento às negociações diplomáticas, uma vez que mudanças no texto final podem alterar significativamente o alcance da medida.

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