Cenario Rural

Queda de braço entre frigoríficos e pecuaristas mantém mercado do boi gordo travado

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Oferta restrita de animais sustenta a arroba, enquanto indústria enfrenta dificuldades no escoamento da carne e tenta pressionar preços para baixo.

O mercado físico do boi gordo iniciou a semana em compasso de espera. De um lado, frigoríficos seguem pressionando por valores menores na compra de animais, refletindo a demanda enfraquecida pela carne bovina no mercado interno. Do outro, os pecuaristas permanecem resistentes às ofertas, sustentados pela disponibilidade limitada de boiadas prontas para o abate.

A avaliação é do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), que aponta uma verdadeira “queda de braço” entre indústria e produtores, cenário que mantém a liquidez reduzida, mas impede recuos mais acentuados nas cotações da arroba.

Oferta restrita fortalece posição do pecuarista

Apesar da postura cautelosa das indústrias, a oferta de animais terminados continua relativamente enxuta em diversas regiões produtoras.

Esse fator tem dado maior poder de negociação aos pecuaristas, que optam por reter os animais na expectativa de preços mais atrativos.

Como resultado, o mercado permanece travado, com poucos negócios efetivados e negociações ocorrendo de forma bastante seletiva.

Segundo o Cepea, embora a liquidez tenha permanecido baixa ao longo da última semana, a maior parte das praças pesquisadas registrou avanço nas referências da arroba.

Indicador Cepea acumula alta semanal

O Indicador CEPEA/ESALQ do boi gordo encerrou a última sexta-feira cotado a R$ 333,50 por arroba, acumulando valorização de 2,1% na semana.

Na comparação diária, o indicador avançou 0,71%, embora ainda apresente retração de 0,86% no acumulado de julho, mostrando que o mercado segue sem uma tendência consolidada de alta.

Mercado atacadista continua pressionado

Enquanto o mercado do boi encontra sustentação na oferta restrita, o atacado apresenta comportamento diferente.

Na Grande São Paulo, a carcaça casada bovina foi negociada, em média, a R$ 23,41 por quilo à vista, registrando queda de 1,1% frente à semana anterior.

O principal motivo continua sendo a dificuldade de reação do consumo doméstico. Mesmo após o pagamento dos salários, o varejo não apresentou recuperação suficiente para estimular novas compras por parte dos frigoríficos, limitando a valorização da carne bovina.

Escalas permanecem confortáveis

As escalas de abate continuam relativamente ajustadas para a indústria.

De acordo com o Cepea, a maior parte dos frigoríficos trabalha com programações entre quatro e dez dias, dependendo da região e da unidade industrial.

Embora algumas plantas já tenham iniciado compras para as próximas semanas, o abastecimento ainda é considerado suficiente para evitar uma corrida por animais terminados.

Mercado acompanha exportações

Outro fator observado pelo setor é o desempenho das exportações brasileiras de carne bovina.

A demanda internacional continua sendo um dos principais pilares de sustentação dos preços da arroba, principalmente diante do consumo interno mais fraco.

Caso os embarques mantenham ritmo elevado, a pressão baixista exercida pelos frigoríficos tende a encontrar maior resistência por parte dos produtores.

Cenário Rural | Análise

O mercado do boi gordo vive um momento de equilíbrio delicado.

Os frigoríficos enfrentam margens apertadas e dificuldades no escoamento da carne bovina, enquanto os pecuaristas aproveitam a oferta restrita de animais para defender preços mais elevados.

No curto prazo, o comportamento da arroba deverá continuar sendo definido por três fatores principais: disponibilidade de boiadas prontas para abate, desempenho das exportações e recuperação — ou não — do consumo doméstico.

Se a oferta permanecer limitada e os embarques seguirem aquecidos, a tendência é de manutenção das atuais cotações, com espaço para altas pontuais em regiões onde as escalas de abate estejam mais curtas. Já uma recuperação mais lenta da demanda interna poderá continuar limitando movimentos mais expressivos de valorização da arroba.

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