Cenario Rural

Acordo EUA-China aquece soja em Chicago, mas mercado brasileiro reage com parcimônia

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Otimismo internacional impulsiona futuros da oleaginosa

Na segunda-feira (27/10/2025), os futuros da Soja negociados na Chicago Board of Trade (CBOT) registraram fortes altas, impulsionados por expectativas de que as Estados Unidos e a China estejam prestes a concluir um acordo comercial que inclui o setor agrícola. Contratos como o de janeiro/2026 avançaram para cerca de US$ 10,85 por bushel, sinalizando otimismo no mercado internacional.

A expectativa se concentra em declarações recentes de que o presidente americano Donald Trump e o chinês Xi Jinping podem selar o entendimento durante a cúpula da Asia‑Pacific Economic Cooperation (APEC) na Coreia do Sul, o que reacendeu o apetite por risco no mercado de grãos.

Mercado brasileiro mantém comportamento contido

Apesar da escalada nos preços internacionais, o mercado de soja brasileiro reagiu de forma discreta. Como relatado, os prêmios no Brasil diminuíram e as vendas foram pontuais, com pouca movimentação de estoques novos ou fixações de safra antecipadas. Segundo o analista Rafael Silveira (Safras & Mercado), “o mercado brasileiro está muito bem vendido, com line-ups acima de 104 milhões de toneladas, e a indústria em final de temporada, assim como os programas de exportação, então há poucas ofertas”.

Em algumas praças, os preços variaram pouco:

  • Passo Fundo (RS): de R$ 133,00 para R$ 134,00;

  • Santa Rosa (RS): de R$ 134,00 para R$ 135,00;

  • Rondonópolis (MT): de R$ 125,00 para R$ 125,50.

Fatores que explicam a divergência Brasil vs. exterior

A diferença de reação entre o mercado internacional e interno pode ser explicada por alguns fatores:

  • O Brasil já possui elevado volume vendido antecipadamente (hedge + contratos futuros), o que limita a urgência de nova comercialização.

  • A safra-nova ainda está em fase inicial de fixação, o que deixa produtores mais cautelosos diante da incerteza climática e logística.

  • A alta internacional ainda depende de confirmação concreta do acordo EUA-China e dos volumes que serão negociados; até lá, o Brasil acaba operando relativamente “isolado” do movimento externo.

  • Internamente, os prêmios de exportação (o diferencial pago além do preço de bolsa) recuaram, reduzindo estímulos imediatos à liquidez.

Implicações para o agronegócio brasileiro

Embora o impacto direto no Brasil seja por enquanto moderado, o cenário representa tanto oportunidade quanto alerta: se o acordo se concretizar e os EUA retomarem expressivas vendas à China, isso pode reconfigurar os fluxos globais de soja e trazer maior concorrência ao produtor brasileiro. Por outro lado, enquanto isso não ocorre, o Brasil continua com vantagem de volume e pode utilizar o momento para planejamento estratégico de comercialização.

Para o produtor e exportador brasileiro, a recomendação é manter atenção às seguintes variáveis: ritmos de fixação da safra 2025/26, evolução das compras chinesas de soja americana, movimento dos prêmios de exportação e o câmbio — todos poderão alterar margem e competitividade nas próximas semanas.

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