Medida paliativa, mas longe de compensar perdas reais
O governo federal liberou a compra direta de produtos afetados pelo tarifaço, como frutas, mel e pescados, para abastecer programas sociais como merenda escolar e hospitais com o objetivo de apoiar produtores em crise. Essa ação emergencial integra o pacote “Brasil Soberano”, estimado em R$ 30 bilhões, que também inclui linhas de crédito e incentivos tributários.
Economista alerta: preços do programa não cobrem custos
O economista Alessandro Azoni avalia que, apesar da intenção de proteger o campo, os valores pagos pelo governo são muito inferiores ao preço internacional muitas vezes não atingindo nem mesmo o custo de produção, o que sinaliza que os produtores ainda enfrentarão prejuízos significativos.
Custo fiscal e risco de ampliação indefinida
Azoni também destaca o impacto financeiro dessas medidas: o déficit brasileiro encerrado julho em R$ 47 bilhões pode ultrapassar os R$ 80 bilhões até o final do ano, colocando em xeque o compromisso com o arcabouço fiscal. Ele questiona a origem dos recursos, já que o Ministério da Fazenda não apresentou viabilidade orçamentária.
Economistas destacam necessidade de ação estruturante
Outros analistas reforçam a importância das compras públicas como alívio imediato e reconhecem os esforços em manter empregos atrelados aos benefícios. Porém, sustentam que o enfrentamento da crise exige estratégias de longo prazo, como diversificação de mercados, fortalecimento das parcerias com outros blocos (BRICS, Mercosul-UE) e manutenção da estabilidade fiscal. Embora o pacote governamental funcione como um socorro temporário, ele não elimina os riscos nem garante rentabilidade aos produtores impactados pelo tarifaço. O sucesso da política depende agora de sua execução eficiente, da focalização dos recursos e da capacidade do agronegócio de se realinhar em mercados externos sem comprometer a solidez das contas públicas.