Retenção de fêmeas e exportações aquecidas sustentam alta no mercado
O mercado do boi gordo no Brasil entra no segundo semestre de 2025 com perspectivas bastante otimistas, segundo especialistas da Scot Consultoria. A projeção mais atual indica que a arroba pode alcançar entre R$ 360 e R$ 380 até dezembro, consolidando uma retomada dos preços após um primeiro semestre marcado por oscilações. Segundo Felipe Fabbri, analista da Scot, mesmo com a forte oferta de animais para abate nos primeiros meses do ano, o mercado interno e, principalmente, as exportações, impediram quedas mais severas.
Retenção de matrizes: um movimento estratégico
Um dos principais impulsionadores da alta na arroba é o movimento de retenção de fêmeas. Os pecuaristas, em vez de destinarem fêmeas ao abate, têm optado por mantê-las na reprodução, em um claro indicativo de confiança no mercado e busca por valorização futura. Essa estratégia reduz a oferta imediata de animais prontos para o abate, pressionando positivamente os preços.
Exportações continuam puxando a demanda
A demanda internacional por carne bovina brasileira segue firme, especialmente por parte da China, responsável por quase metade dos embarques. Mesmo com uma leve desaceleração do ritmo nos últimos meses, o volume total exportado em 2025 já supera os números de 2024. A cotação do dólar, que permanece acima dos R$ 5,30, também colabora para a competitividade da carne brasileira no mercado externo.
De acordo com dados do IBGE e do Ministério da Agricultura, o volume de abates de bovinos neste ano apresenta queda acumulada de 2,3% até maio. A tendência é que essa retração continue ao longo do segundo semestre, sobretudo devido à retenção de matrizes e à dificuldade de reposição de bois magros.
Impactos no consumidor e no varejo
O avanço da arroba impacta diretamente no preço da carne bovina ao consumidor final. Cortes como alcatra e picanha já apresentaram aumentos de até 8% em algumas regiões. Apesar disso, especialistas acreditam que o varejo conseguirá diluir parte desses aumentos, mantendo o consumo estável no segundo semestre.
Apesar das boas perspectivas, o mercado segue atento a fatores de risco, como novas tensões no comércio global e mudanças climáticas que possam afetar a produção e o transporte. Por enquanto, o cenário é positivo e tende a favorecer o produtor brasileiro.