Cenario Rural

Arroba do boi decolou em fevereiro, mas decisão do governo deve frear preços em março

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O preço da arroba do boi gordo registrou forte valorização ao longo de fevereiro de 2026, sustentado por oferta restrita de animais prontos para abate, escalas de abate curtas nas indústrias e exportações aquecidas, principalmente para o mercado chinês. No entanto, especialistas destacam que decisões governamentais previstas para março podem moderar esse ritmo de alta nos preços, alterando a dinâmica de vendas externas e, consequentemente, o comportamento das cotações no mercado doméstico.

Alta consolidada em fevereiro

De acordo com levantamento de mercado, a arroba do boi gordo encerrou fevereiro com valores bem superiores aos de janeiro, refletindo um movimento firme de alta:

  • São Paulo: passou de cerca de R$ 332/@ para R$ 354/@ (+6,6 %);
  • Goiás: avançou de R$ 316/@ para R$ 333/@ (+5,3 %);
  • Minas Gerais: saiu de R$ 318/@ e chegou a R$ 338/@ (+6,3 %);
  • Mato Grosso e Mato Grosso do Sul: também registraram elevações consistentes.
    Essa trajetória ilustra um mercado em que a restrição de oferta aliada à demanda forte continua determinando preços mais robustos no curto prazo.

Segundo analistas, o suporte aos preços foi reforçado pelas condições favoráveis das pastagens no Centro-Norte do país, incentivando a retenção de animais no campo e reduzindo a oferta disponível nas negociações imediatas, além do desempenho vigoroso das exportações brasileiras de carne bovina neste início de ano.

Governo pode frear movimento em março

Apesar da valorização no mês passado, o cenário em março pode ser diferente devido a uma possível decisão do governo brasileiro sobre a regulamentação das cotas de exportação de carne bovina para a China, prevista para sair na primeira quinzena de março. Essa medida visa escalonar os embarques ao longo do ano, evitando que os volumes de proteína sejam concentrados nos primeiros meses — o que tem impulsionado os preços da arroba.

A definição dessa regulamentação poderá alterar o ritmo de vendas externas para o maior mercado consumidor da carne brasileira, diminuindo o apetite de importação elevado observado no início do ano e, assim, reduzindo o suporte altista das cotações da arroba. Isso deve contribuir para uma desaceleração da alta ou até acomodação dos preços domésticos nas próximas semanas.

Analistas ressaltam que, além do quadro das exportações, outros fatores como oferta de animais de confinamento, comportamento do consumo interno no pós-Carnaval e durante a Quaresma e câmbio também terão papel importante na formação de preços no mercado brasileiro ao longo de março.

Mercado interno e atacado

Enquanto isso, no mercado atacadista de carne bovina, os preços têm se mantido firmes na última semana de fevereiro, mas com sinais de que o suporte dos valores pode enfraquecer caso o consumo desacelere e a reposição de gado não acompanhe os níveis anteriores, pressionando margens industriais.

Em resumo, embora fevereiro tenha sido marcado por uma forte alta na arroba do boi gordo, a chegada de março traz fatores que podem moderar ou frear esse movimento de valorização, exigindo atenção dos pecuaristas, frigoríficos e agentes do mercado para as decisões e sinais econômicos que surgirem nas próximas semanas.

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