Cenario Rural

Boi gordo: clima de tensão permanece no mercado pecuário, mas cotações da arroba seguem firmes

boi

Depois de uma semana bastante agitada no mercado de pecuária de corte, o clima de “sextou” trouxe alívio para muitos trabalhadores brasileiros. Ou seja, menos para as pessoas envolvidas, direta ou indiretamente, com a cadeia de carne bovina, incluindo pecuaristas e frigoríficos.

O mercado do boi gordo se manteve completamente travado nesta sexta-feira, 3 de setembro, à espera de uma notícia oficial e conclusiva sobre as suspeitas de um caso atípico de Encefalopatia Espongiforme Bovina (BSE, na sigla em inglês – conhecida como “doença da vaca louca”), em Minas Gerais.

Segundo apurou a Scot Consultoria, com a saída dos principais compradores do mercado, o preço do macho terminado fechou a semana estável nas praças paulistas, a R$ 310/@ (valor bruto e a prazo).

As cotações da vaca e novilha gordos também andaram de lado nas regiões paulistas, negociadas em R$ 292/@ e R$ 307/@, respectivamente (preços brutos e a prazo).

“Grande parte das operações foram adiadas ou canceladas, enquanto a incerteza sobre o suposto caso de vaca louca atípica segue gerando preocupações em relação à dinâmica do escoamento da produção”, ressalta a IHS Markit.

Neste momento, acrescenta a consultoria, as principais indústrias frigoríficas aproveitam as escalas de abate acumuladas ao longo da semana. Composta de oferta dos lotes de primeiro giro de confinamento e de operações a termo, para permanecer fora das compras de boiadas em quase todas as regiões do País.

Segundo a IHS, as indústrias que compraram lotes de animais de boiadas gordas adiaram os seus embarques, assim como os abates.

Porém, a IHS identificou um interesse maior pela matéria-prima (boi gordo) em algumas regiões do Estado de São Paulo. Portanto, onde “há relatos de grandes players que seguem adquirindo animais, tentando barganhar preços ainda mais baixos para a arroba bovina”.

Os pecuaristas, por sua vez, seguem à deriva no mercado. Suas margens são prejudicadas pelos elevados custos de nutrição, enquanto a demanda pelos seus animais é praticamente inexistente, relata a IHS.

Porém, as condições adversas de pastagens e os altos custos da nutrição podem dificultar a manutenção da estratégia dos pecuaristas em proteger as suas margens operacionais, avalia a IHS.

Segundo o médico veterinário Leandro Bovo, sócio diretor da Radar Investimentos, além das incertezas, as indústrias frigoríficas enfrentam problemas com escoamento da carne bovina devido às ameaças de greve dos fiscais agropecuários, “que estariam emitindo os certificados de exportação em ritmo mais lento do que o normal, gerando acúmulo de produtos prontos para despacho nas câmaras frias, o que impede a manutenção do fluxo de abates no ritmo normal”.

“Essa situação não é generalizada, porém as plantas afetadas chegaram a cancelar os embarques agendados. Contribuindo para o clima de preocupação já vigente no mercado”, afirma Bovo.

Segundo o diretor da Radar, o noticiário dos últimos dias não tem sido bom para o setor pecuário brasileiro. “Porém precisa muito cuidado com sensacionalismo e com a forma de repasse das informações.

“Analisar o cenário com calma e sobretudo com objetividade é a melhor solução para a tomada de decisão mais acertada”, observa.

Do lado de dentro das porteiras, diz Bovo, o segundo semestre tem sido difícil para os produtores, com custos em alta, secas, geadas e incêndios.

“Com certeza vamos superar mais essa dificuldade, apesar das turbulências do curto prazo”, avalia.

Mais quedas na B3

No mercado futuro, os contratos do boi gordo com vencimento nos próximos meses segue registrando variações negativas. Refletindo a preocupação em torno da suspeita de uma caso de “vaca louca” atípica.

Na quinta-feira, 2 de setembro, os contratos com vencimento em outubro/21 e novembro/21 recuaram R$ 2,75 e R$ 3,70, respectivamente, para R$ 294,20/@ e R$ 303/@.

O contrato de vencimento mais curto (setembro/21) registrou forte queda diária de R$ 13,60, fechando a R$ 296,40/@.

No mercado atacadista, o corte de vaca casada registrou alta de R$ 0,50/kg na sexta-feira. Enquanto os demais cortes bovinos, assim como do couro e sebo industrial, permaneceram estáveis, informa a IHS.

Contudo, o setor atacadista relata demanda lenta, mas um pouco mais regular, dentro das expectativas para a primeira semana do mês. Marcada pelo recebimento dos salários aos trabalhadores.

 

Fonte: Portal DBO

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