Embora as exportações brasileiras de café tenham alcançado recorde de receita cambial em 2025, o setor enfrentou prejuízos logísticos significativos ao longo do ano devido a falhas e gargalos na infraestrutura portuária do país. Um levantamento do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé) aponta que esses entraves custaram cerca de R$ 66,1 milhões aos exportadores ao longo de 2025.
Atrasos e escalas alteradas nos portos
Os números mostram que mais da metade dos navios destinados às exportações de café sofreram atrasos ou alterações de escala nos principais portos brasileiros, impedindo o embarque normal das mercadorias. Segundo o Boletim Detention Zero, cerca de 55 % das embarcações tiveram algum tipo de alteração logística no ano.
O Porto de Santos, responsável por uma grande parte dos embarques brasileiros, registrou o maior índice de problemas, com 65 % dos navios enfrentando atrasos ou mudanças de escala — reflexo da infraestrutura defasada nos terminais, que inclui filas de caminhões, pátios superlotados e falta de berços suficientes para atender à demanda.
Impactos práticos dos problemas logísticos
De acordo com o Cecafé, as dificuldades nos portos resultaram em:
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Perda de embarques: em dezembro de 2025 foram deixadas de embarcar mais 486 303 sacas de café de 60 kg, gerando custos adicionais e receitas perdidas.
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Prejuízos operacionais: custos extras com armazenagem, pré-stacking e “detentions” (taxas por tempo de permanência de contêiner), que oneraram exportadores e encareceram o processo de escoamento.
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Menos receita cambial: além do prejuízo direto de R$ 66,1 milhões, os entraves impediram o país de arrecadar cerca de R$ 14,67 bilhões em receita cambial ao longo do ano.
Segundo o diretor técnico do Cecafé, Eduardo Heron, esses atrasos e mudanças de escala decorrem de filas de caminhões, pátios lotados, falta de berços e dificuldades operacionais nas plataformas portuárias, fatores que comprometem o desempenho logístico do agronegócio brasileiro.
Infraestrutura e desafios estruturais
Embora as autoridades públicas tenham ressaltado recordes de movimentação e embarques gerais nos portos, os exportadores alertam que esses números “mascaram” os problemas reais enfrentados, especialmente na logística de cargas conteinerizadas, onde o café e outros produtos agrícolas dependem de capacidade efetiva de manuseio e saída rápida dos terminais.
A solução para esses desafios, segundo lideranças do setor, passa por políticas públicas que ampliem a capacidade de pátios e berços nos portos, além da diversificação de modais de transporte para reduzir gargalos e tornar o escoamento mais eficiente.
O que isso representa para o agronegócio
Os prejuízos logísticos refletem uma realidade enfrentada por grande parte do agro brasileiro: mesmo com forte desempenho de exportações em receita e volumes, a infraestrutura de transporte e exportação continua sendo um ponto crítico. A falta de eficiência nos portos pode reduzir a competitividade internacional dos produtos brasileiros e gerar perdas que vão além dos números financeiros diretos, afetando também produtores e exportadores.