Medida entra em vigor nesta quarta-feira e preocupa produtores brasileiros
A partir desta quarta-feira (1º), entra em vigor o tarifaço dos Estados Unidos que impõe uma sobretaxa de 50% sobre diversos produtos brasileiros. Os setores de café, carne bovina, frutas, pescado e mel estão entre os mais atingidos, gerando forte apreensão entre exportadores e produtores do agro nacional.
Café é o mais impactado
Segundo levantamento da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), o café lidera a lista de produtos mais afetados em termos de volume exportado. Em 2024, o Brasil enviou mais de 3,6 milhões de sacas para o mercado norte-americano. Com o aumento da tarifa, o setor cafeeiro poderá ter de redirecionar essa produção para novos mercados ou absorver prejuízos que podem ultrapassar R$ 1 bilhão, conforme estimativas da CNA.
Carne bovina enfrenta barreiras e concorrência
O setor de carne bovina também sente os efeitos da medida. A sobretaxa afeta diretamente a competitividade da carne brasileira frente a outros fornecedores como Austrália e México, que possuem acordos comerciais com os EUA. A Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec) estima que as tarifas elevem a carga tributária para mais de 76%, inviabilizando parte das operações.
Exportação de frutas em risco
As frutas brasileiras, especialmente manga, mamão, melão e limão, também perderão competitividade com a nova carga tributária. Produtores do Nordeste temem uma retração nas exportações, já que os EUA respondem por uma parcela relevante da demanda. A Associação Brasileira dos Produtores e Exportadores de Frutas (Abrafrutas) alerta para possíveis demissões no setor caso os embarques diminuam drasticamente.
Setores de pescado e mel também atingidos
As exportações de pescado e mel para os EUA, que vinham crescendo nos últimos anos, também serão afetadas. Em 2024, o Brasil exportou aproximadamente 5 mil toneladas de pescado e mais de 3 mil toneladas de mel para o mercado norte-americano. Com a tarifa extra, esses produtos deverão buscar novos destinos ou sofrer queda nos preços.
Reação do governo e do setor privado
O governo brasileiro afirmou que ainda tenta reverter as tarifas por meio da diplomacia e está elaborando um plano de contingência para apoiar os setores mais vulneráveis. Entidades do agro pressionam por medidas de apoio como linhas de crédito, renegociação de contratos e abertura de novos mercados.
Cenário incerto exige estratégia
A medida acirra a necessidade de diversificação dos destinos de exportação e de fortalecimento de acordos comerciais com países como China, Filipinas, Indonésia e União Europeia. A próxima safra será decisiva para reposicionar o agro brasileiro no mercado global.