Cenario Rural

Campo gaúcho sob pressão: dívidas rurais ultrapassam R$ 72 bilhões e acionam sinal de alerta

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Balanço alarmante para o agro gaúcho

O campo do Rio Grande do Sul acumula R$ 72,82 bilhões em dívidas com o sistema financeiro, segundo levantamento da Farsul, baseado em dados de crédito rural no estado. O valor está quase igualmente dividido entre custos de safra (R$ 36,75 bilhões) e investimentos (R$ 36,07 bilhões).

Desse total, R$ 27,72 bilhões vencem ainda em 2025, sendo R$ 22,32 bilhões para custeio e R$ 5,41 bilhões em investimentos, o que destaca ainda mais a urgência da situação.

Dívidas renegociadas e inadimplência setorial

Do montante total, R$ 22,28 bilhões já foram renegociados, divididos equilibradamente entre custeio e investimento (cada um com cerca de R$ 11 bilhões). A inadimplência média nesse grupo é de 3,1%, com maior risco nos contratos de custeio (4,9%) comparado a investimentos (1,2%).

Já as dívidas não renegociadas totalizam R$ 50,53 bilhões, com inadimplência média de 3,2%, sendo que dessa soma, cerca de R$ 22,23 bilhões vencem ainda este ano, incluindo R$ 18,86 bilhões em custeio e R$ 3,37 bilhões em investimentos .

Caminhos discutidos entre securitização e fundos emergenciais

A Farsul enfatiza a necessidade de securitização das dívidas, transformando-as em títulos de longo prazo para aliviar a pressão financeira sobre os produtores .

Uma alternativa em destaque é o uso de R$ 15 bilhões do Fundo Social do Pré‑Sal, proposta vista como solução mais rápida e concreta em comparação a tramitações legislativas prolongadas. O governador Eduardo Leite endossou a prorrogação emergencial junto ao Banrisul, com recursos do Funrigs, para sustentar o setor rural diante das adversidades climáticas.

O desafio de recuperar a saúde financeira

O agro gaúcho está no limite financeiro, especialmente após crises climáticas consecutivas. O risco de escassez de crédito, falhas produtivas e queda de confiança exigem respostas estruturadas, com plano de longo prazo, acesso a financiamento e políticas públicas robustas. A junta entre Farsul, governo estadual e entidades rurais mostra um caminho de mobilização coletiva — mas a eficácia dependerá da harmonia entre recursos, legislação e vontade política.

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