Exportações batem recordes mesmo após tarifa de 50%
As exportações de carne bovina do Brasil em agosto de 2025 chegaram a 299.449 toneladas, representando um crescimento de 20,7% sobre agosto do ano anterior. O faturamento foi de US$ 1,60 bilhão, alta de 49,8% ano a ano. A China segue como destino líder, com 161.010 t compradas por cerca de US$ 894 milhões. Outros mercados importantes para esse crescimento incluem Rússia, México e Chile.
Apesar de ser afetada pela nova tarifa de 50% aplicada pelos EUA, a exportação para esse país caiu mais de 50% em agosto de 2025, registrando apenas 9.382 toneladas, passando de segundo lugar para oitavo entre os destinos. Mas o Brasil compensou essa perda por meio de novos mercados e pelo aumento dos preços.
Demanda interna robusta e oferta de gado em ascensão
O abate nacional superou 20 milhões de cabeças de gado no primeiro semestre de 2025, segundo dados do IBGE. A previsão da Tagro é de que o Brasil encerre o ano com mais de 40 milhões de animais abatidos.
A combinação entre embarques externos fortes e consumo interno saudável tem impedido quedas acentuadas nos preços da arroba. O confinamento tem se mantido ativo, e frigoríficos continuam operando com boa procura, o que evita sobreoferta no mercado interno.
Novos mercados ganham espaço
Com a barreira imposta pelos EUA, o Brasil está redirecionando seus esforços para mercados como México, Canadá, Emirados Árabes Unidos, além de possuir plantas habilitadas recentemente para exportações à Indonésia. Isso amplia as oportunidades de vendas externas mesmo com efeitos adversos em alguns países.
Previsão para o restante do ano
Analistas da Tagro acreditam que os preços devem se manter estáveis no último trimestre de 2025. A expectativa é que o consumo interno e a exportação continuem sustentando o mercado, mesmo com custos elevados de reposição de rebanho para 2026. Não há indicativo forte de queda acentuada de preços, salvo eventos climáticos ou sanitários adversos.
O setor de carne bovina brasileiro mostra resiliência frente a desafios externos como tarifas agressivas. Com exportações recordes, mercados diversificados e demanda interna firme, há espaço para que os preços se mantenham em patamar elevado. Se tudo correr dentro das projeções, 2025 será lembrado como um ano atípico — marcado pela superação de entraves comerciais e pela robustez produtiva.