Desempenho da safra e ritmo de colheita
A colheita de trigo no Paraná ganha ritmo acelerado conforme as lavouras da nova safra avançam, segundo levantamento do Cepea. Muitos produtores já estão entregando seus grãos, o que eleva a oferta em mercados locais. Este movimento coincide com redução dos preços do cereal nos últimos dias, em parte pela maior oferta, mas também em função da desvalorização do dólar frente ao real o que torna o trigo importado menos competitivo.
Clima, área plantada e impactos na qualidade
Apesar do progresso, a safra de 2025 enfrenta desafios significativos. O Paraná registrou geadas no final de junho que afetaram lavouras no Norte do estado, contribuindo para queda de produtividade. A área plantada este ano, conforme o Deral, caiu aproximadamente 20-27% em comparação à safra anterior. A meteorologia mais fria tem seus lados positivos, como controle de pragas e menos estresse térmico, mas o excesso de chuvas em certas regiões e as perdas que vieram com geadas impõem riscos à qualidade final do trigo.
Dinâmica de mercado: oferta, câmbio e comprador recuado
Com a colheita avançando, vendedores estão mais ativos no mercado spot. Muitos querem liquidar estoques logo que o trigo fica disponível. Do lado comprador, há retração: compradores locais já estão com estoques importados em níveis considerados satisfatórios, o que diminui a pressão de demanda interna pelo produto nacional neste momento. Além disso, o dólar mais fraco torna os produtos importados menos caros em reais, pressionando os preços caseiros para baixo.
Preços atuais e expectativas para os próximos meses
As cotações do trigo recuaram nos dias recentes. No Paraná, parte das ofertas CIF para entrega imediata caiu para cerca de R$ 1.400/t, com preços futuros e pedidos dos produtores tentando manter algo em torno de R$ 1.500/t, mas sem que os compradores se disponham a pagar este valor. A resistência é visível, especialmente em lotes com qualidade inferior ou quando há necessidade de transporte longo. Diante disso, o mercado segue atento às condições climáticas e à evolução da colheita: se não houver aberrações, o cenário deve seguir com oferta confortável, barrando altas expressivas. Mas, caso ocorram novos eventos climáticos adversos ou algum ajuste cambial, há espaço para valorização pontual.