Instabilidade internacional e câmbio travam movimentos mais fortes nas commodities
As principais commodities agrícolas brasileiras iniciaram a quarta-feira com oscilações moderadas, refletindo a instabilidade no mercado internacional e a falta de impulso do câmbio. Segundo dados atualizados do Notícias Agrícolas e indicadores do Cepea/Esalq, soja, milho, açúcar e arroz seguem sem tendência clara, operando em ritmo de cautela enquanto compradores e vendedores aguardam movimentos mais consistentes vindos das bolsas e do cenário externo.
Embora não haja quedas acentuadas, a falta de força compradora e a pressão das bolsas internacionais têm limitado avanços, especialmente para soja e milho, que seguem travados pelo excesso de oferta e pela desvalorização dos contratos futuros em Chicago.
Soja tenta se firmar, mas Chicago pressiona
A soja registrou valores ao redor de R$ 136,04 por saca no Paraná, enquanto no porto de Paranaguá o preço se manteve próximo de R$ 142,02. No entanto, o recuo dos contratos futuros na bolsa de Chicago, com janeiro/26 negociado a US$ 11,15 por bushel, continua atuando como principal fator de pressão no mercado brasileiro.
Analistas apontam que a oleaginosa deve seguir dentro deste corredor estreito de preços no curto prazo, já que o mercado ainda aguarda maior clareza sobre clima na América do Sul, avanço da safra brasileira e possíveis alterações no câmbio. A tendência imediata é de movimentos laterais, com pequenas variações.
Milho segue pressionado por oferta elevada
O milho opera em R$ 69,54 por saca no indicador CEPEA/Esalq, mostrando leve queda diante da ampla oferta interna, acúmulo de estoques da safrinha e ritmo mais lento das exportações. Na B3, o contrato janeiro/26 é negociado ao redor de R$ 75,00, também sem força suficiente para uma recuperação.
Em Chicago, o milho recuou para US$ 4,31 por bushel, refletindo a sobra global do cereal e a ausência de fatores que impulsionem a demanda. As projeções indicam que o milho deve continuar sujeito à pressão até que o ritmo de exportações brasileiras volte a ganhar tração ou até que novos relatórios de oferta causem revisões no cenário internacional.
Açúcar mantém firmeza e segue como exceção da cesta agrícola
O açúcar permanece entre as commodities mais estáveis do dia, com preço interno próximo de R$ 108,77 por saca. A commodity tem sido sustentada pelo cenário global, que ainda trabalha com oferta ajustada, especialmente em países como Índia e Tailândia.
Caso o câmbio apresente alguma desvalorização ou caso surjam novas revisões sobre produção asiática, o açúcar pode apresentar avanços moderados. Por enquanto, o mercado atua com estabilidade leve, mas com viés positivo.
Arroz opera próximo da estabilidade, mas demanda segue contida
O arroz apresentou cotação recente próxima de R$ 53,06 por saca, segundo dados do Cepea. O mercado trabalha com oferta relativamente confortável após bons volumes colhidos e importações regulares. A demanda doméstica, sem grandes oscilações, mantém os preços estáveis.