Setores defendem estabilidade e abertura de novos mercados diante do tarifaço norte-americano
A maioria das empresas brasileiras afetadas pelo tarifaço de 50% imposto pelos Estados Unidos é contrária a medidas de retaliação ao governo de Donald Trump. A informação foi divulgada em levantamento recente da Confederação Nacional da Indústria (CNI) e da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), que apontam que mais de 70% dos empresários consultados preferem uma solução diplomática com foco na negociação e na abertura de novos mercados.
Segundo a CNI, os setores produtivos estão preocupados com os efeitos colaterais que uma escalada de tensões comerciais possa causar no ambiente de negócios, inclusive com possível fuga de investimentos. “Retaliações podem criar barreiras adicionais para empresas brasileiras em outros países, além de comprometer a imagem do Brasil como parceiro comercial estável”, alerta o estudo.
As organizações empresariais também defenderam que o governo concentre esforços em negociações multilaterais, com apoio de organismos como a Organização Mundial do Comércio (OMC), e intensifique os acordos bilaterais com Ásia, África e Europa para diversificar os destinos das exportações brasileiras. A China, por exemplo, já absorve mais de 30% da soja e 43% da carne bovina vendidas pelo Brasil.
A CNA, por sua vez, destacou que é fundamental proteger o produtor nacional, mas sem comprometer a reputação internacional do agro brasileiro. “Medidas de retaliação podem ter efeito limitado e até prejudicar setores que não estão diretamente envolvidos nas exportações aos EUA”, afirmou a confederação.
Governo mantém postura conciliadora
Em linha com o empresariado, o governo brasileiro tem reiterado que busca uma solução negociada. O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, afirmou nesta semana que o Brasil “não sairá da mesa de negociação” e que qualquer medida mais dura precisa ser muito bem avaliada, considerando os impactos sobre o conjunto da economia.
O Itamaraty, por sua vez, está acionando embaixadas e representantes comerciais para intensificar o diálogo com aliados internacionais e pressionar os EUA a reverem a decisão, considerada unilateral e protecionista. “O momento exige serenidade e firmeza, mas não impulsividade”, resumiu um diplomata brasileiro sob anonimato.