Crédito para solar: quando o sol vira ativo financeiro
A Câmara dos Deputados aprovou um projeto que aloca R$ 400 milhões do Fundo Garantidor de Operações (FGO) para oferecer crédito a cooperativas de geração compartilhada de energia solar entre agricultores familiar. A iniciativa já foi aprovada e agora segue para o Senado. O objetivo é que essas cooperativas instalem sistemas fotovoltaicos de pequeno e médio porte, fortalecendo a autossuficiência energética no campo.
Cooperativismo solar: conjunta gera força
A proposta original, de autoria do deputado Pedro Uczai (PT-SC), foi relatada por Nilto Tatto (PT-SP), que inseriu programas adicionais ao texto como incentivo para sistemas agroflorestais e florestas produtivas de base agroecológica. O crédito terá prazo de 18 meses após a sanção da lei e deverá ser liberado via PRONAF, desde que a energia gerada seja usada exclusivamente na produção agropecuária dos cooperados.
Conteúdo nacional e governança estratégica
Um ponto importante é a exigência de conteúdo mínimo nacional nos sistemas solares, fomentando fornecedores locais e gerando emprego nas cadeias de instalação e manutenção. O Conselho Monetário Nacional (CMN) definirá prazos, juros e outras condições de financiamento, reforçando o caráter estrutural da medida.
Sustentabilidade amplificada com agroflorestas
Além da energia solar, o projeto inclui os programas Prosaf (Sistemas Agroflorestais de Base Agroecológica) e Florestas Produtivas. Estas iniciativas visam recuperar áreas degradadas, promover agricultura com menor emissões e favorecer a conservação da biodiversidade com foco na agricultura familiar, assentados da reforma agrária e comunidades tradicionais.
Impacto real para o agricultor na transição energética
Segundo os autores da proposta:
Pedro Uczai reforça que agricultores familiares poderão criar cooperativas solares para reduzir custos e ganhar renda.
Nilto Tatto destaca que a medida fortalece a democratização da matriz energética e promove desenvolvimento socioeconômico no campo. Alternativas regionais já existem, como o programa RenovaPR no Paraná, que financia energia limpa com subsídio aos juros em muitos casos, reduzindo a conta de luz a ponto de cobrir o financiamento.
Conclusão
A aprovação do projeto que destina R$ 400 milhões para crédito à geração coletiva de energia solar marca um avanço real para a agricultura familiar brasileira. É um passo que alinha produção rural com sustentabilidade energética, inclusão social e resiliência produtiva. Agora, a proposta aguarda análise no Senado — e pode se consolidar como política pública transformadora.